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Capa da Playboy sofreu de anorexia por dois anos

27 de janeiro de 2007 23h37 atualizado em 28 de janeiro de 2007 às 10h03

Andréa parou de comer na África do Sul, no começo da década de 90. Foto: Divulgação

Andréa parou de comer na África do Sul, no começo da década de 90
Foto: Divulgação

A carioca Andréa Lopes já está mais do que acostumada a surfar em ondas para lá de radicais. Aos 17 anos, tornou-se a primeira surfista profissional a viver do esporte no Brasil. Aos 25, a primeira brasileira a vencer uma etapa do WCT, o cobiçado campeonato mundial. Hoje, aos 33, a única tetracampeã brasileira no surfe conquista outro título: o de primeira portadora de anorexia nervosa a enfeitar a capa da Playboy. Andréa sofreu da doença por dois anos - 1994 e 1995 -, e chegou a pesar 38 quilos.

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"Essa foi a onda mais difícil que eu já dropei na vida. Aquela Andréa Lopes não existe mais, já morreu. O corpo é o reflexo da cabeça e eu sempre procurei ser a saúde em pessoa. Mas, naquela época, cheguei a ter ojeriza à comida. Vivia recusando convites para almoçar e jantar. Hoje em dia, eu me sinto não uma sobrevivente, mas uma vitoriosa", orgulha-se ela, já ostentando 58 quilos harmoniosamente distribuídos em 1,68 metro de altura.

Andréa começou a parar de comer na África do Sul, no começo da década de 90, em uma das muitas viagens internacionais que fez por causa do surfe. Hospedada na casa de amigos, recusava toda comida de que não gostava. Na rua, também não se alimentava direito porque não encontrava nada que fosse do seu agrado. Perfeccionista, encontrava tempo apenas para surfar. Nessa época, chegava a surfar por até seis horas ininterruptas com apenas uma fruta no estômago.

"Tinha verdadeira obsessão com o meu corpo e, naquele momento, só conseguia pensar em ser campeã mundial. Todo mundo que vinha me oferecer comida representava uma ameaça para mim. Com a anorexia, você se fecha no seu mundo e não ouve ninguém. Se olha no espelho e acha que está tudo bem. Mas, na verdade, não estava tudo bem. Tanto que parei de menstruar por quase dois anos. Na praia, as pessoas viviam me perguntando se eu estava sofrendo de aids", relata.

Em 1994, Andréa embarcou para a Austrália, onde competiria nas primeiras etapas do circuito mundial. Uma forte crise estomacal, porém, fez com que ela fosse internada às pressas. Meses depois, Andréa ainda participou das etapas francesa e norte-americana, mas não teve forças para continuar e se viu obrigada a parar. No dia 1° de dezembro de 1994, data de seu aniversário, finalmente se convenceu de que estava doente. Com a ajuda da família e da terapia, escapou ilesa da doença.

"Tive que abrir mão das competições para me recuperar. Felizmente, minha mãe tomou a frente de tudo. Fiquei louca quando me proibiram de fazer o que eu mais gostava, mas foi justamente isso o que fez com que eu resgatasse a minha força. Hoje, sinto que estou no melhor da minha forma técnica e psicológica. Costumo brincar dizendo que só vou pensar em aposentadoria quando igualar, como surfista profissional, os cinco títulos brasileiros que conquistei como amadora", afirma.

Em dois meses, seis jovens mortas
A morte prematura por transtorno alimentar está atingindo proporções nunca vistas no Brasil. Em pouco mais de dois meses, seis jovens brasileiras, entre 14 e 23 anos, morreram vítimas de anorexia e bulimia. A primeira delas foi a modelo paulista Ana Carolina Reston. Aos 21 anos, encerrou a carreira internacional com 1,74 m e o peso de uma criança: só 40 quilos.

Apenas três dias depois, outra vítima: a estudante paulista Carla Sobrado Cassalle, 21 anos. Com 1,70 m, pesava apenas 45 quilos. O pai da moça disse que ela chegou a ser internada 20 vezes para se tratar.

Também não resistiram a estudante Beatriz Cristina Ferraz Lopes Bastos e a manicure Rosana de Oliveira, ambas com 23 anos. Das seis, Cristina é a que pesava menos quando morreu: 34 quilos.

No Rio de Janeiro, a anorexia fez outras duas vítimas: as estudantes Thayrine Machado Bruto, 16 anos, e Maiara Galvão Vieira, 14 anos. Ao contrário de boa parte das vítimas, Thayrine não tinha o desejo de ser modelo. Segundo a mãe, sonhava ser psicóloga "para entender melhor a cabeça do ser humano".

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