Odilon Rios
Direto de Maceió
Brasil
» Médicos voltam ao trab
» Teotonio anuncia pagamento de reajustes
» Vilela diz que manterá aumento
Os técnicos tem como objetivo identificar os problemas mais urgentes, como nas áreas fiscal e social, e oferecer apoio de pessoal para elaboração de projetos para captação de recursos em Brasília. "É uma força-tarefa que envolve todos os ministérios para nos ajudar e firmar um protocolo de intenções", disse o governador. O trabalho começa na semana que vem.
"Nosso grande tema em Alagoas é um encontro de agendas. Quanto a este momento em que passa Alagoas, estamos aqui para sermos solidários, atendendo sempre às solicitações do governo", afirmou o assessor especial da Presidência da República e coordenador da missão, Vicente Trevas.
Segundo o assessor, o principal objetivo dos técnicos é ampliar o atendimento do Estado nos programas sociais, como o Bolsa-Família, através de recursos federais. "Apresentamos todo o tipo de proposta. Precisamos de tudo e os projetos precisam estar em sintonia com o governo federal", explicou Teotonio.
Investimentos
Hoje, o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, esteve em Alagoas com Trevas e almoçou com o governador. Em entrevista coletiva, anunciou investimentos de R$ 820 milhões em obras hídricas, em seis projetos, como o Canal do Sertão, um duto de 230 quilômetros de extensão para matar a sede do sertanejo em tempos de estiagem saindo do rio São Francisco até o agreste.
Para o secretário de Planejamento do Estado, Sérgio Moreira, existe uma "matriz de soluções e problemas" para Alagoas, como a discussão nas áreas de gestão, com troca de conhecimento e capacitação de funcionários; estruturação da Controladoria-Geral do Estado; obras hídricas e estruturantes; atendimento em programas e serviços; e o caixa, a parte das finanças. "Temos dinheiro a receber, como R$ 86 milhões pelo pagamento a mais da dívida pública ao Tesouro Nacional e créditos a receber de empresas públicas, como a Petrobrás", contou o secretário.
Ex-presidente da Companhia Hidrelétrica do Rio São Francisco (Chesf) na era Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Moreira disse que o governo está tranqüilo no combate aos problemas do Estado. "Temos problemas de caixa, como todos sabem, mas mais ainda na área estrutural. Mas, o atraso é uma oportunidade".
Crise
Com uma folha de R$ 123 milhões por mês e arrecadando R$ 100 milhões, Alagoas enfrenta a sua pior crise desde que Teotonio Vilela assumiu o governo há apenas 24 dias: o funcionalismo decretou greve geral depois que os aumentos salariais concedidos ano passado foram suspensos. A justificativa do tucano é que os aumentos contrariavam a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Os grevistas argumentam que o Estado possui caixa para o pagamento dos servidores e invadiram o prédio da Secretaria da Fazenda. Algumas categorias voltaram ao trabalho, como médicos, dentistas e enfermeiros com curso superior. Técnicos de enfermagem, professores e policiais civis ainda continuam em greve, mas discutem hoje se retornam ou não aos trabalhos. Os policiais militares ameaçaram parar, porém, aceitaram uma proposta do governo de devolução dos aumentos dos salários.
Com as negociações, a greve geral começou a perder força: os trabalhadores rurais sem-terra, os sem-teto e os índios que ajudaram na ocupação do prédio da Secretaria da Fazenda aos poucos recolhem lonas e colchões. Apenas os professores e os policiais civis ocupam a secretaria, que deve ser desocupada amanhã.
Apesar da crise, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) disse, em rápida entrevista, que "estaria disposto, se o governador deixar" a indicar onde estaria o dinheiro, mas não informou onde. Em nota oficial, Lessa foi taxativo: disse que não deixou o Estado endividado, garantiu a existência de recursos e acusou a equipe de Vilela de estar "desnorteada".
"Desta forma, existem recursos suficientes para honrar os compromissos com o funcionalismo público estadual. Ao que parece, a equipe econômica do atual governo está desnorteada, sem rumo, apresentando números que não refletem a realidade, razão pela qual nos colocamos à disposição, não só para esclarecer dúvidas, mas também para contribuir na solução dos problemas", resumiu a nota.
Redação Terra