Acidente em obras do Metrô abre cratera em SP

12 de janeiro de 2007 • 15h24 • atualizado em 13 de janeiro de 2007 às 07h48
Caminhões foram 'engolidos' pela cratera
Caminhões foram 'engolidos' pela cratera
12 de janeiro de 2007
Rodrigo Coca/Futura Press

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

São Paulo


Um desabamento, por volta das 15h, atingiu as obras de expansão do Metrô de São Paulo, junto à estação Pinheiros. Uma cratera de 30 metros de profundidade e 80 metros de diâmetro foi aberta na rua Conselheiro Pereira Pinto, próximo à avenida Nações Unidas. Caminhões e carros caíram no buraco. Oficialmente não há vítimas, mas os bombeiros realizam buscas a uma van que, segundo testemunhas, teria desaparecido com pelo menos quatro pessoas a bordo.

O proprietários do veículo e familiares do cobrador e do motorista deram queixa do desaparecimento do veículo ao 14º DP. O microônibus da empresa Transcooper foi visto pela última vez dez minutos antes do horário do acidente por um outro motorista.

O veículo estava na rua onde ocorreu o desabamento e "desapareceu na fumaça", conforme contou Daniel Alves dos Santos, 44 anos, que estava a cerca de 60 metros do microônibus.

O motorista que desapareceu foi identificado como Reinaldo Aparecido Leite, 43 anos, casado e pai de três filhos. Também estariam dentro da van o cobrador, identificado apenas como Wesley, e pelo menos dois passageiros.

Marginal Pinheiros
O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, em entrevista coletiva, disse que não há perigo de novos deslizamentos, mas há risco de que a cratera possa aumentar, principalmente se voltar a chover em São Paulo. Os moradores da região foram retirados do local pelos bombeiros. O incidente provocou também o fechamento das pistas local e expressa da marginal Pinheiros no sentido Castello Branco pelo menos até a noite de sábado.

Técnicos da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) foram para o local para avaliar se alguma tubulação rompeu e se há risco de explosão ou problemas com abastecimento. De acordo com um engenheiro do Metrô ouvido pela Record, não foi uma explosão que ocasionou o acidente. O teto da estação Pinheiros acabou desabando enquanto estava sendo construído. Com isso, parte da sustentação da obra cedeu e abriu a cratera. O coronel Izaul Segalla, da PM, informou o motivo do acidente ainda será investigado.

Feridos leves
Pelo menos cinco pessoas foram socorridas pelo médico Rodrigo Nicácio, que trabalha para o serviço de atendimento da concessionária da obra. Segundo ele, cinco UTIs móveis estão no local.

Os primeiros atendimentos, conforme Nicácio, foram aos moradores das proximidades, a maioria deles com sintomas de pressão alta. Várias casas tiveram de ser interditadas e os moradores não puderam retornar para as residências.

Relatos
Segundo relato de funcionários da Editora Abril, que foram orientados a deixar o prédio, uma peça usada nas obras de ampliação do metrô teria caído em um buraco, provocando um forte barulho. Uma colaboradora da Abril relatou, no entanto, que as informações sobre a causa do acidente são conflitantes.

Luana Silva, atendente, que trabalha no 5º andar do edifício Pasarelli, próximo ao local disse que havia gente na janela quando o buraco abriu e houve muita gritaria. Eles correram para a saída de emergência e muita gente desmaiou. Segundo ela, "barulhos de detonações eram constantes por causa da obra e o pessoal sempre brincava que uma hora o túnel ia cair".

Outro funcionário da editora disse ainda que a rua ao lado da Abril "parece torta" e as pessoas temem que possa afundar. Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Paulo não tinha informações. Segundo informações da rádio Jovem Pan, os funcionários da Abril foram autorizados a retornar ao edifício, que não teria sofrido qualquer dano.

Redação Terra
 
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