Rio: 100 mil ficam sem água a partir de hoje a noite

11 de janeiro de 2007 • 04h27 • atualizado às 17h02
Água da represa tomou conta das ruas de Miraí, em Minas Gerais Foto: José Renato L. Paulo/vc repórter
Água da represa tomou conta das ruas de Miraí, em Minas Gerais
10 de janeiro de 2007
Foto: José Renato L. Paulo/vc repórter

Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro

São Paulo


Cerca de 100 mil pessoas terão o abastecimento de água cortado, a partir desta quinta-feira, em razão do vazamento de lama provocado pelo rompimento de uma barragem da empresa Mineração Rio Pomba Cataguases na cidade de Miraí, em Minas Gerais, na divisa com o Estado. O corte no fornecimento afetará, a partir da noite desta quinta-feira os municípios fluminenses de Laje do Muriaé (7,9 mil habitantes), São José de Ubá (6,4 mil pessoas) e Itaperuna (86,7 mil habitantes). Outras 25 mil pessoas podem ser prejudicadas nas cidades de Italva e Cardoso Moreira. O rio Muriaé, contaminado pela lama da barragem, é afluente do Paraíba do Sul, que abastece o Estado do Rio de Janeiro.

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De acordo com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), os municípios de Laje do Muriaé e São José de Ubá terão o fornecimento cortado ainda nesta quinta, enquanto Itaperuna, Cardoso Moreira e Italva serão afetados até o fim de semana.

Mais cedo nesta quinta, a Cedae havia informado que já havia interrompido o fornecimento de água para Laje do Muriaé, São José de Ubá e Itaperuna. À tarde, porém, a companhia informou que houve um mal-entendido nas informações oriundas dessas cidades.

No início da madrugada de hoje, voltou a chover no município de Miraí (MG), levando ao aumento do nível do rio e causando novo vazamento da barragem.

Levantamento da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE-RJ), apurou que a ruptura na barragem da empresa de mineração espalhou dois bilhões de litros de lama misturada com bauxita e sulfato de alumínio no Rio Muriaé, que abastece o noroeste do Rio. Problema semelhante já havia ocorrido em março do ano passado, quando 400 milhões de litros de argila com óxido de ferro e alumínio prejudicaram a água.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, estima uma grande mortandade de peixes nas próximas horas no Rio Muriaé. Técnicos da companhia constataram que o nível de turbidez da água está 200 vezes acima do normal. A análise foi feita num trecho de 40 quilômetros.

Miraí e Muriaé
O vazamento da barragem, ocorrido na manhã da quarta, deixou mais de quatro mil desabrigados em Muriaé. A Defesa Civil investiga se o dique emergencial montado pela mineradora na barragem, da qual vazaram ontem mais de 2 milhões de litros de resíduos para o Muriaé, não resistiu com a retomada das chuvas - a empresa será multada em R$ 50 milhões pelo governo mineiro.

Moradores da região atingida já estão comprando água mineral para comer e cozinhar. O preço médio é de R$ 4 pelo garrafão de 5 litros. Na cidade de Laje do Muriaé, alguns pescadores tentam ganhar algum dinheiro oferecendo transporte de barco a R$1, pois a cidade está alagada e eles, impedidos de pescar no rio Muriaé.

Na cidade de Miraí, a elevação do nível das águas e o novo vazamento inutilizaram boa parte dos trabalhos de limpeza e recuperação das casas iniciado ontem. A cidade vizinha de Muriaé também está em alerta para o nível das águas.

Boa parte da população local de Miraí decidiu passar a madrugada acordada e fora de casa, por conta das cheias. Segundo o governo de Minas, no primeiro rompimento, 53% da capacidade total da barragem já tinham vazado.

A situação de alerta em Minas, Rio de Janeiro e todo o Sudeste devido às chuvas permanece nesta quinta-feira. A Defesa Civil anunciou temporais na região para o dia. O mau tempo afetou mais de 225 mil pessoas em Minas, onde pelo menos 21 pessoas morreram. Em todo o Sudeste, há cerca de 41 rodovias interditadas.

Redação Terra
 
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