Estudante Maria Elisabeth da Costa mostra a bala encontrada na fatia de pão |
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O recheio "explosivo" foi encontrado na terça-feira à noite pela estudante Maria Elisabeth da Costa, 22 anos: "Ia fazer um misto quente quando vi a bala no miolo". Horas antes, sua mãe, a dona de casa Maria Lúcia da Costa, 53, tinha comprado o produto, alvejado na altura da terceira fatia. "Nem percebi que estava perfurado", conta.
A data de fabricação do pão traz consigo uma ironia: dia 28, quando o Rio passou a registrar os primeiros ataques. "Garanto que ninguém aqui pratica tiro ao alvo em pão", afirmou Orlando Oliveira, um dos diretores da marca da embalagem atingida.
Para distribuir seus produtos, os caminhões da empresa passam por pontos críticos. Todos partem da sede, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e atravessam a avenida Brasil, palco de rotineiros tiroteios, até chegar à capital. "Só pode ter sido no trajeto. Dentro do mercado é impossível isso ter acontecido", disse Carlos Sampaio, gerente da loja.
A convivência com balas não é novidade para a família. Há 16 anos, quando morava na Tijuca, um tiro atingiu a porta de casa enquanto Maria Lúcia esperava o filho Paulo da Costa, hoje com 20, se arrumar para sair. Outro que por pouco não viu munição ser descarregada foi o seu marido, Roberto Fortunato, 54. No ano passado, assaltante colocou a pistola na sua cabeça e quase levou a vida do aposentado. "Arranquei com o carro e fugi. Causa espécie a total incapacidade do poder público de impedir a vinda de drogas e armamentos para essas pessoas. Esse caso do pão é só mais um de muitos", lamentou.
A família agora deseja, no máximo, efetuar a troca do produto para poder fazer, pelo menos, seus sanduíches em paz.
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