Bandidos voltam a atacar PM e queimam mais um ônibus no Rio

29 de dezembro de 2006 • 00h12 • atualizado às 04h34

Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro


Bandidos supostamente ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV) realizaram cerca de 20 ataques nesta quinta-feira em vários pontos do Rio de Janeiro. Os últimos incidentes foram registrados à noite, nas linhas Vermelha e Amarela, na área do complexo de favelas da Maré, na zona norte da capital. Traficantes passaram em dois carros atirando contra bases do Batalhão de Policiamento de Vias Especiais. Também na noite desta quinta-feira, mais um ônibus foi incendiado, próximo ao Parque da Colina, em Niterói, município da região metropolitana. Ninguém ficou ferido nessas ações.

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Os demais atentados deixaram 18 mortos e 22 feridos ao longo do dia - dos quais seis permanecem internados, pelo menos dois em estado grave. Os alvos foram ônibus, viaturas e bases da PM, além de delegacias. As vítimas fatais foram nove civis, sete suspeitos e dois policiais militares. Já os feridos são 14 civis e oito PMs.

O caso mais grave ocorreu na avenida Brasil, nas imediações da Cidade Alta, na zona norte. Um ônibus da viação Itapemirim, que seguia para São Paulo, foi incendiado e sete passageiros morreram carbonizados. Três acusados de envolvimento no crime foram presos por policiais da 22º DP (Penha). São eles: Graciel Maurício do Nascimento, Cléber de Carvalho Fonseca e Ézio Guilerme de Oliveira.

Agentes da mesma delegacia apreenderam quatro granadas de bocal de fuzil e mais de 200 munições de diversos calibres no complexo habitacional da Cidade Alta. Segundo a polícia, o material estava com traficantes que fugiram após uma rápida troca de tiros. As munições poderiam ser utilizadas em novos ataques.

Reforço no policiamento
A cúpula da Segurança do Rio de Janeiro anunciou que todos os batalhões da PM da região metropolitana receberam reforço nos quadros para esta sexta-feira. Os agentes foram orientados a não ficarem parados durante o trabalho. Já na Polícia Civil, mais de 90 carros de várias delegacias foram mobilizados para circular em áreas consideradas de risco.

Ataques seriam represália
De acordo com o Secretário de Segurança Pública, Roberto Precioso, os atentados seriam uma represália de facções criminosas contra um possível endurecimento no sistema penitenciário, no próximo governo. Já o Secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira, afirma que os incidentes seriam contra às milícias do Comando Azul, ou seja, grupos de policiais que expulsam traficantes de favelas e passam a controlar as comunidades, cobrando uma taxa em troca de segurança.

Redação Terra
 
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