Erros no sistema podem provocar choque de aviões

18 de dezembro de 2006 • 00h08 • atualizado às 00h36

Relatórios recentes escritos diariamente pelos controladores de vôo mostram que, dois meses e meio depois da queda do Boeing da Gol, ainda há falhas no controle de tráfego aéreo brasileiro.

O programa Fantástico teve acesso a boletins que dizem respeito a eventos ocorridos sobre a área coberta do pelo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1), que administra quase dois mil vôos diários sobre São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Brasília e Mato Grosso.

Um tipo de ocorrência freqüente é a de falta de pessoal. No dia 28 de abril, em Brasília, um controlador teve 31 aviões sobre sua responsabilidade durante 30 minutos. O número de aviões seria o dobro do máximo permitido.

Como resultado, os operadores tiveram que impor medidas restritivas como o aumento do tempo de espera de aviões no solo, a redução da velocidade dos aviões em rota e a espera de aviões no ar, sobrevoando os aeroportos.

Quatro controladores ouvidos pelo programa disseram que algumas vezes falta papel para a impressão de filipetas que reproduzem as informações dos radares. Elas funcionam como orientação para os controladores em caso de falhas nos equipamentos.

Outro problema diria respeito ao programa de computador usado pelos controladores. Ele alteraria aleatoriamente informações como as altitudes dos aviões. Esta falha teria acontecido com o jato Legacy. Um relatório do dia 23 de novembro apontou o problema em um vôo na rota Porto Alegre-Guarulhos.

O avião, que estava no nível 340, teria trocado sozinha para o nível 360. O controlador poderia ter autorizado outro avião em sentido contrário, mas percebeu a troca e entrou em contato com o piloto do vôo Varig 2373 pelo rádio.

Outro problema com o software seria a criação de alvos falsos - aviões que não existem e aparecem na tela dos controladores. Em relatório do dia 10 de dezembro, aparecem 28 duplicações ou multiplicações de vôos. Num desses registros, o alvo falso acionou o sistema anti-colisão e fez com que o controlador adotasse medidas restritivas pesadas, prejudicando o usuário.

O Cindacta afirma que quando um problema é relatado a área técnica o resolve imediatamente.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »