O caso está gerando polêmica sobre a ética dos médicos que respeitaram a autonomia da paciente e a fé. A jovem, que tem a identidade preservada pelos médicos e polícia, viveu um mês após descobrir que tinha leucemia.
Ao ser informada de que necessitava realizar uma transfusão de sangue, ela recusou o procedimento, assinando um termo de responsabilidade. Na igreja, descobriu que uma médica hematologista em Florianópolis, Zelita da Silva Souza, também Testemunha de Jeová, realizava tratamentos alternativos sem a necessidade de transfusão. Ela sobreviveu 20 dias no tratamento.
O caso gerou controvérsia entre a família da mãe, católica, e do pai, Testemunha de Jeová. O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (Cremesc) tentou intervir, mas não conseguiu que a jovem se submetesse ao tratamento adequado, informou o presidente da entidade, Wilmar Athayde.
Ele explicou que foi aberta uma sindicância para apurar o caso e que outra comissão, formada por cinco médicos do Hospital Celso Ramos - onde morreu a paciente -, analisará o procedimento adotado com a jovem.
O diretor do hospital, Ranulfo Goldschmidt, negou que a paciente tenha recebido medicação alternativa na instituição. "Ela recebeu medicamentos usados na quimioterapia e em outros pacientes". Ele admitiu, entretanto, que a opção dos médicos em respeitar a paciente agravou seu quadro clínico.
O inquérito deverá ser concluído em 30 dias. De acordo com o delegado Marlus Malinverni, coordenador da Central de Polícia da Capital, as providências para apurar o fato estão sendo tomadas e as partes serão ouvidas. Através de nota, o Ministério Público informou que vai aguardar o resultado do inquérito para se pronunciar.
- Redação Terra


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