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Presa pela PF, Gigi circulava na alta sociedade

14 de dezembro de 2006 20h30

Governador Cláudio Lembo recebe quadro de Gigi. Foto: Eliana Rodrigues/Divulgação

Governador Cláudio Lembo recebe quadro de Gigi
Foto: Eliana Rodrigues/Divulgação

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta quinta-feira o mandado de prisão contra Jiselda Oliveira, a Gigi, sob acusação de que ela agenciava garotas de programa no Brasil e no exterior. Bem relacionada, a artista plástica levaria uma vida dupla e tinha intenso convívio social. Costumava freqüentar vernissages e exposições e doou um quadro de sua autoria ao acervo do Palácio dos Bandeirantes na presença do governador Cláudio Lembo em um evento na sede do governo paulista, em 25 de novembro.

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A assessoria de Lembo informou que Jilseda Oliveira foi convidada pelos organizadores do concerto bizantino "Cultura pela Paz" e que o governador teve contato com ela apenas na entrega do quadro. Jiselda foi ao evento por freqüentar e participar de exposições na Casa da Fazenda do Morumbi, pólo cultural de oito mil metros quadrados localizado em São Paulo, há pelo menos um ano e meio. Ela também participava de lançamentos de livros e outros eventos culturais.

"Li que ela fingia ser artista plástica, mas ela realmente é", diz Michel Chelala, da Casa da Fazenda. Segundo Chelala, Jiselda fazia doações de quadros à Casa da Fazenda e é considerada uma artista de talento. Ela já ganhou prêmios da instituição.

"De nenhuma forma nos sentimos enganados por dar os prêmios a ela", diz ele. Apesar de destacar o trabalho de Jiselda como artista, ele reconhece que ficou surpreso ao vê-la envolvida nas investigações da Polícia Federal. A assessoria de imprensa da PF reconheceu Jiselda na foto com o governador.

Um homem que morou com duas garotas de programa supostamente agenciadas por Gigi de março a junho deste ano indicou três páginas do orkut com perfis da suposta cafetina. Nelas, há fotos de Gigi no Senado Federal e com a Medalha Rui Barbosa, concedida pela Fundação Casa de Rui Barbosa aos destaques da cultura em cada ano. Ás 18h de quinta-feira, não havia ninguém na Fundação para confirmar o recebimento da medalha por Jiselda.

Segundo o rapaz, uma de suas colegas de apartamento foi capa de uma revista masculina em janeiro deste ano e a outra já viajou à Espanha, Portugal, França e Marrocos - desta vez na companhia de mais cinco brasileiras - por intermédio de Gigi. A garota estaria hoje com 22 anos, mas teria começado a trabalhar com Jiselda aos 17. A Polícia Federal investiga o envolvimento de menores de idade no esquema.

Gigi distribuiria periodicamente um CD com fotos e nomes fictícios das garotas que agenciava. O cliente escolhia e encomendava o programa a Jiselda ou a um de seus intermediários. Ela também agenciaria garotos de programa e ficaria com 30% do valor dos programas. O preço mínimo seria de R$ 500 por uma hora.

Redação Terra