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Pirâmides do Egito: pedras sintéticas coladas como asfalto (estudo)

30 de novembro de 2006 15h14

As pedras das pirâmides do Egito podem ter sido fabricadas a partir de pedras sintéticas coladas como asfalto, estimaram cientistas na revista francesa Sciences et Vie, que chegará às bancas na sexta-feira. A partir dos novos estudos, ganha força uma teoria já levantada diversas vezes.

A composição das pedras das pirâmides é "bem mais complexa do que aquelas das pedras das pedreiras" de Toura e de Maadi, de onde teriam sido extraídos os elementos do túmulo de Gizé. As pedras das pirâmides seriam geopolímeros, ressaltou a revista, citando os trabalhos dos doutores Gilles Hug, do Escritório Nacional de Estudos e de Pesquisas Aeroespaciais (Onera), e Michel Barsoum, da Universidade de Drexel, na Filadélfia (EUA).

Segundo os exames de raios X e de plasma focus realizados por esses especialistas, "alguns micro constituintes dessas pedras apresentam traços de uma reação química rápida que não permitiram uma cristalização natural(...), uma reação inexplicável se considerarmos pedras talhadas, mas perfeitamente compreensíveis se pensarmos que as pedras foram coladas como asfalto", acrescentou.

Diferentes técnicas de microscópio eletrônico mostraram que "os espectros de difração das pedras das pirâmides diferem nitidamente daqueles das pedras de pedreiras", continuou a Science et Vie.

Para um outro especialista, o químico Joseph Davidovits, que defende há 30 anos a tese do asfalto de geopolímero para a edificação dos túmulos dos faraós, blocos de calcário natural reconstituído teriam sido colados no local.

Eles podem ter sido formados com "entre 93% e 97% de elementos de calcário natural e entre 3% e 7% de material de ligação", como argila caolinítica, um silicoaluminato que se desagrega na água e ao qual teria sido adicionada cal apagada, explicou a revista.

Um quarto cientista, o físico Guy Dumortier, das Faculdades Universitárias Notre-Dame de la Paix de Namur (Bélgica), também defendeu, na Science et Vie, a teoria da pedra aglomerada. De fato, ele detectou um teor bem mais elevado do que o natural de flúor, silício, magnésio e sódio.

"Sem querer desagradar os egiptólogos, a utilização de geopolímero para a construção de pirâmides é mais verossímil", assegurou.

A Science et Vie já provocou uma polêmica em 2001 ao anunciar: "As pirâmides são feitas de pedras falsas!" Uma pesquisadora do francês Centro Nacional para a Pesquisa Científica (CNRS), Suzanne Raynaud, observou as anomalias nas amostras desses monumentos, em relação às pedras das pedreiras. gcv/fg-mvv AFP 301514 NOV 06

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