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 Caos no tráfego aéreo tinha sido previsto há meses
28 de novembro de 2006 20h25 atualizado em 29 de novembro de 2006 às 02h07

Documentos oficiais da Aeronáutica revelaram que o caos no tráfego aéreo tinha sido previsto há meses. Segundo o Jornal Nacional, dois brigadeiros que previram as possíveis conseqüências foram afastados na semana passada. Desde o início do ano, os oficiais de alta patente já se preocupavam com a falta de controladores de vôo. O Sindicato dos Controladores Civis também disse que fez alertas sobre a falta de pessoal.

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Um documento da Aeronáutica, do dia 14 de fevereiro, dizia que para garantir a segurança e a eficiência do tráfego aéreo era preciso tomar com antecedência ações de grande importância. Os militares dizem que nos últimos dez anos têm enfrentado sérias dificuldades para contratar mais gente. E dão um exemplo - em 2006 só receberiam 65 controladores de vôo, mas precisariam de 180 por ano, conforme o brigadeiro Paulo Roberto Vilarinho, autor de outro documento urgente do dia 30 de março.

Desta vez, ele advertiu que a manutenção dos equipamentos podia ser prejudicada pela falta de pessoal capacitado para trabalhar na área do cindacta-4, na Amazônia, onde houve o acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, seis meses depois.

O brigadeiro alertou que a garantia dos equipamentos na região começaria a vencer neste ano. E encerrou pedindo a convocação, em caráter emergencial, de engenheiros. Em um outro ofício, Vilarinho pediu a ampliação e modernização do controle de vôos de São Paulo, com mais três radares.

Mesmo depois do acidente com o Boeing da Gol e o jato Legacy, em 29 de setembro, no Mato Grosso, o Departametno de Controle do Espaço Aéreo do Comando da Aeronáutica continuou reclamando da falta de pessoal. Desta vez quem assinou o documento foi o vice-diretor do departamento, brigadeiro Ailton dos Santos. Em 31 de outubro, ele disse que o número de profissionais estava bem abaixo do mínimo indispensável e que o assunto já havia sido levado ao conhecimento do Comando da Aeronáutica.

Os dois militares que fizeram os pedidos de pessoal e equipamento foram exonerados do Comando do Controle do Espaço Aéreo na última sexta-feira.

O ministro da Defesa, Waldir Pires, informou que nenhum dos três relatórios chegou ao ministério. O Comando da Aeronáutica disse que, para aumentar o pessoal que trabalha no Controle do Tráfego Aéreo, contratou serviços terceirizados e contou com o apoio de outros setores para suprir a falta de engenheiros. Para o ano que vem, a Aeronáutica aumentou o plano de formação de controladores de vôo - de 180 para 363.

Redação Terra