Ex-cunhada de Jorge Gerdau é morta no Leblon

22 de novembro de 2006 • 23h27 • atualizado em 23 de novembro de 2006 às 13h04
Ana Cristina Giannini Johannpeter foi casada com o vice-presidente da Gerdau Foto: O Dia
Ana Cristina Giannini Johannpeter foi casada com o vice-presidente da Gerdau
23 de novembro de 2006
Foto: O Dia

A socialite Ana Cristina Giannini Johannpeter, 58 anos, morreu após ter sido baleada na cabeça durante um assalto, nesta quarta-feira à noite, na esquina da rua General San Martin com avenida Afrânio de Melo Franco, no Leblon, zona sul da capital fluminense. A morte ocorreu às 22h40, no hospital Miguel Couto.

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Ex-mulher do empresário Germano Gerdau, vice-presidente da Gerdau e irmão de Jorge Gerdau, atual presidente do grupo - que inclui a segunda maior siderúrgica do Brasil e maior produtora de aço das Américas -, Cristina dirigia sua caminhonete Mercedes-Benz, modelo ML 500, quando foi abordada por dois bandidos, aparentemente menores de idade, que estavam em uma bicicleta. De carona no veículo estava a filha mais nova da vítima, Manoela, 21, que testemunhou o crime.

O assalto ocorreu por volta das 20h, a cerca de 150 metros da 14ª DP (Leblon). Ana Cristina estava parada no sinal de trânsito, com o vidro aberto para fumar, quando um dos ladrões, armado com um revólver calibre 38, anunciou o roubo. Segundo Manoela contou a policiais militares, a mãe não reagiu e durante todo o tempo pedia calma aos criminosos. "Eu vou entregar tudo, calma", afirmava ela.

Um dos bandidos, no entanto, parecia nervoso e gritava: "Eu não quero o carro. Só as suas coisas. Eu vou atirar, me dá tudo!". Ana Cristina entregou a bolsa, o celular e, quando foi tirar o relógio do pulso, o jovem acabou atirando. Logo depois, os dois fugiram de bicicleta em direção a Ipanema.

Bombeiros socorreram a vítima e a levaram para o hospital Miguel Couto, onde Ana Cristina morreu no centro cirúrgico. A família chegou a mandar ambulância da Clínica São Vicente à unidade na esperança de que ainda pudesse ser transferida. Segundo os médicos, a bala disparada pelo assaltante penetrou pelo nariz e saiu pelo alto da cabeça.

Parentes e amigos como Flora Gil e Preta Gil, mulher e filha do ministro Gilberto Gil, e as socialites Paula Severiano Ribeiro e Ariadne Coelho, ex-mulher do empresário Jair Coelho, o "Rei das Quentinhas", foram até o hospital prestar solidariedade. No saguão do Miguel Couto, a filha Manoela conversou com o comandante do 23º BPM (Leblon), tenente-coronel Carlos Milan, e afirmou ter condições de reconhecer os bandidos por fotografias.

Logo depois da socialite ter sido socorrida, sua filha mais velha esteve no local e, segundo relato de testemunhas, entrou em desespero. "Tanto que eu falei para a mamãe andar com segurança. Eu tenho segurança, ando com carro blindado, meus filhos têm segurança", disse ela. Segundo informações, há dois meses, Cristina teria dispensado sua segurança pessoal por se sentir pouco à vontade.

Busca aos assassinos
Por ter ocorrido em horário de grande movimento, algumas pessoas testemunharam o assalto. De dentro de um ônibus, uma jovem viu parte da ação dos ladrões. "O ônibus estava parado no sinal também. Eu ouvi um disparo. Quando olhei, vi a mulher do carro da frente baleada e os dois bandidos correndo. E pegaram a bicicleta, que estava parada em um prédio do lado esquerdo da rua. O carro da vítima estava do lado direito. Os dois eram morenos. Foi tudo rápido", contou.

Poucos minutos depois de Cristina ser socorrida, policiais militares do 23º BPM iniciaram operação na Cruzada São Sebastião, no Leblon, em busca dos ladrões, já que o assalto ocorreu bem próximo do conjunto habitacional. O tenente-coronel Carlos Milan determinou que todos os carros do batalhão fossem empenhados na caça aos bandidos.

"Tudo que eu disser agora será precipitado, mas vamos fazer uma grande operação e dar uma resposta", afirmou Milan, na porta do Miguel Couto, sem detalhar onde seriam as buscas e se já havia suspeitos.

"Império"
Uma fábrica de pregos, em Porto Alegre (RS) deu início ao império econômico que a família Gerdau comanda há mais de um século (105 anos).

Hoje é o maior grupo produtor de aço do continente americano - cerca de 20 milhões de toneladas por ano. Além do Brasil, onde ocupa a vice-liderança no setor, opera em mais oito países, incluindo EUA, Canadá e Espanha.

Tem 32 mil funcionários e fatura mais de R$ 25 bilhões por ano, com lucros líquidos acima dos R$ 3 bilhões - é um dos poucos do segmento produtivo a rivalizar com os superbalanços dos bancos.

O principal desafio da empresa é chegar ao ranking das 10 maiores do mundo. Atualmente, está entre as 15 primeiras. A indústria tem ações nas mais poderosas bolsas (São Paulo, Nova Iorque e Madri). Terça-feira, a Gerdau anunciou substituição em seu cargo máximo: Jorge Gerdau, 69 anos, cotado para um ministério no governo Lula - ele é conselheiro e amigo pessoal do presidente -, deixará a direção em janeiro. Seu filho, André Bier Johannpeter, 43, assumirá.

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