"Não há divergência sobre crime político, mas a delegada não teria fortalecido a minha versão de crime cometido por uma quadrilha que atuava na prefeitura para obter recursos para o partido", disse o promotor Roberto Wider, que atua no caso.
"Não é ofensa à delegada arquivar o inquérito, ela interrompeu a investigação no meio", ressaltou.
Trata-se de mais um desdobramento no polêmico caso do prefeito petista que foi assassinado em janeiro de 2002, após ser sequestrado quando estava em companhia do empresário Sérgio Gomes da Silva, chamado de Sombra.
Para o promotor, Celso Daniel foi alvo de um crime encomendado porque havia decidido acabar com um esquema de corrupção na prefeitura cujos recursos iriam para o financiamento de campanhas eleitorais do PT. O motivo para a decisão do prefeito, segundo Wider, seria a descoberta de que o dinheiro estaria indo para o bolso da quadrilha e não para o partido.
A delegada Elisabete Sato, do 78o Distrito Policial (Jardins), foi indicada em 2005 pela Secretaria de Segurança para apurar novas denúncias feitas pela família de Celso Daniel. O Ministério Público solicitou então 16 diligências, que poderiam indicar outros autores e mandantes do crime.
Em dezembro de 2003, os promotores já haviam denunciado o Sombra como um dos mandantes. Ele aguarda em liberdade decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o caso.
Wider diz que a delegada cumpriu apenas parcialmente a investigação. Segundo a assessoria da Secretaria de Segurança, Sato está em férias e não poderia se pronunciar. Ela relatou o inquérito em 26 de setembro e o promotor teve acesso ao relatório em 3 de outubro, mas só agora o caso veio à tona.
Entre as medidas solicitadas, estava a necessidade de quebra de sigilo de 34 números de telefones de envolvidos. Como o item não teria sido realizado, Wider afirma ter pedido agora autorização judicial para a quebra.
"(O inquérito) não ajudou nem atrapalhou, a não ser o impacto na opinião pública", afirmou o promotor. Para ele, ao declarar que não há motivação política para o crime, a delegada pode levar a opinião pública a entender que se trata de um crime comum, o que o Ministério Público não concorda.
A morte de Celso Daniel foi investigada pela Polícia Civil que concluiu que se tratava de crime comum, cometido por uma quadrilha. A conclusão levou à prisão de vários integrantes da quadrilha. A família contesta e vê na morte a necessidade de eliminar o petista pela quadrilha que atuava na prefeitura para levantar recursos para o partido, mesma tese dos promotores do Ministério Público.
Como determina a lei, o caso pode ser investigado por 20 anos após o fato.
(Por Carmen Munari)
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