Testemunhas depõem sobre morte de casal em SP

17 de novembro de 2006 • 23h25 • atualizado em 18 de novembro de 2006 às 12h04

Felipe Gil
Direto de São Paulo

São Paulo


A polícia colheu na noite desta sexta-feira em São Paulo depoimentos de cinco testemunhas sobre o assassinato do casal Sebastião Esteves Tavares, 71, e Ilda Gonçalves, 67. Os idosos foram mortos a facadas no início da manhã de sexta-feira no bairro de Perdizes, na capital paulista.

» Filho de casal morto não é suspeito, diz delegado

Foram ouvidos dois policiais militares, duas testemunhas que moram perto do local do crime e o vigia de um prédio da região. O delegado José Vinciprova, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que a polícia tem várias linhas de investigação, e que os trabalhos vão se estender normalmente pelo fim de semana e feriado (Dia da Consciência Negra em São Paulo, na segunda-feira). Ainda não foi encontrada a arma do crime.

Vinciprova confirmou que a testemunha que passava pelo local viu uma pessoa sendo esfaqueada, mas que ela não pode afirmar se o agressor era um homem ou uma mulher.

O DHPP chegou a apontar como suspeito Rogério Tavares, 42, filho do casal que também estava na casa, para depois afastar essa possibilidade. As declarações oficiais mais freqüentes, no entanto, foram evasivas.

Rogério sofreu uma facada no pescoço. Os primeiros relatos diziam que ele teria sido encontrado com os punhos presos por uma fita adesiva. Mas a última versão é a de que ele já estava com os braços livres quando a polícia chegou à casa. Internado, Rogério afirmou aos delegados que sua avó, que também estava na casa, cortou a fita com uma faca que ele teria pego na cozinha. Esta seria a faca sem indícios de sangue encontrada no quarto onde estava a avó, Isaura da Purificação Gonçalves, de 93 anos.

Vinciprova negou que Rogério tivesse escoriações nos punhos, como davam conta os relatos iniciais. Segundo o delegado, sinais de luta foram encontrados no corpo da mãe.

A versão de que Rogério teria tentado impedir a entrada dos policiais militares na casa também foi negada. De acordo com Vinciprova, os PMs ouvidos esta noite disseram que, pela janela, Rogério fez um gesto pedindo para que eles não se aproximassem.

Com receio de que houvesse um refém na casa, os policiais aguardaram. Após alguns minutos sem movimento ou barulhos na residência, decidiram arrombar a porta com o auxílio de um pé-de-cabra, trazido por um vizinho.

Os delegados do DHPP também ouviram, embora informalmente, o outro filho do casal, que não estava na casa no momento do crime. Valter Tavares teria dito que o irmão nunca cometeria um crime como este. Rogério sofre de epilepsia e hipertireoidismo, segundo Vinciprova.

Motoristas de um ponto de táxi em frente à casa da rua Cayowaá, onde ocorreu o crime, disseram que na quinta-feira havia duas pessoas trabalhando na troca de um portão da garagem da residência. Segundo o delegado Leandro Árabe, do DHPP, o levantamento das pessoas que trabalhavam na casa está sendo feito junto à família. Esses funcionários devem ser ouvidos no decorrer das investigações.

Redação Terra
 
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