Vôo 1907: investigação levará mais oito meses

16 de novembro de 2006 • 20h05 • atualizado em 17 de novembro de 2006 às 03h53

O chefe da Divisão de Investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), coronel Rufino Antônio da Silva Ferreira, responsável pela investigação do acidente do Boeing da Gol com o Legacy da empresa americana ExceAir, indicou nesta quinta-feira ao divulgar o relatório preliminar, que a conclusão das investigações da Aeronáutica deve demorar pelo menos mais oito meses. Segundo ele, os primeiros 45 dias foram dedicados à coleta de informações. "A investigação de um acidente desta magnitude não é breve. É um processo demorado. Minha previsão é de que demore, ao todo, oito meses". Ele disse, porém, que o prazo pode ser estendido por mais tempo. "Há investigações de acidentes internacionais recentes que levaram três anos", argumentou.

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De acordo com o coronel Rufino, qualquer conclusão seria prematura. "No momento, eu ainda não tenho nenhuma coisa que eu possa dizer 'isso contribuiu'. Tenho várias linhas, vários pontos que eu preciso investigar e reunir dados", disse. O coronel garantiu, no entanto, que é possível afirmar que os pilotos de ambas as aeronaves não perceberam a aproximação. "Ninguém viu ninguém. Não houve percepção visual e não ocorreu nenhuma tentativa de ação ou manobra evasiva de acordo com os dados dos gravadores de vôo".

O relatório revela ainda que os sistemas TCAS (sistema embarcado que serve para evitar colisões) de nenhuma das duas aeronaves emitiu qualquer alerta de tráfego ou recomendou procedimentos para evitar o choque. De acordo com o coronel Rufino, logo após o choque a aeronave Boeing teria se desmanchado. "Após a colisão, o Boeing ficou incontrolável aos pilotos e caiu (...). E, com certeza, se desintegrou no ar. Uma aeronave que viajava a 11 mil metros de altitude, a 800 km/h, e que ao atingir o solo havia avançado apenas 6 km perdeu completamente a capacidade de vôo, se desintegrando".

Sobre o fato de ainda não ter ouvido os controladores de vôo que estavam de plantão no dia do acidente por eles terem apresentado atestados médicos, o coronel Rufino explicou que os depoimentos não eram imprescindíveis à primeira etapa das investigações. Mas não deixou de destacar que espera ouvi-los em breve. Os atestados eram válidos até o último dia 13.

A comissão já recuperou os dados dos registradores de vôo das duas aeronaves, entrevistou e submeteu a exames médicos os tripulantes do Legacy; realizou testes preliminares nos equipamentos do Legacy para averiguar seu funcionamento; e examinou os destroços do Boeing atrás de indícios que ajudassem a esclarecer o que aconteceu com o avião. A comissão também está analisando os dados registrados pelos radares do Cindacta 1, em Brasília, e Cindacta 4, em Manaus.

Agência Brasil
 
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