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Aeronáutica confirma que Legacy não seguiu plano

16 de novembro de 2006 14h23 atualizado às 19h21

Coronel Rufino apresenta relatório preliminar em Brasília. Foto: Agência Brasil

Coronel Rufino apresenta relatório preliminar em Brasília
Foto: Agência Brasil

O coronel Rufino Ferreira, chefe do Centro de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), apresentou em Brasília o relatório preliminar sobre o acidente com o Boeing da Gol, em que morreram 154 pessoas. O relatório confirma que o plano de vôo do jato Legacy que se chocou com o Boeing, conduzido por pilotos americanos, não foi cumprido. A aeronave deveria ter voado a 37 mil pés até Brasília. Depois, deveria ter descido a 36 mil pés e, 500 km à frente, subir a 38 mil pés. No entanto, permaneceu todo o tempo a 37 mil pés.

» Veja o relatório preliminar sobre o acidente na íntegra
» Especial Vôo Gol 1907
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Para a FAB, a colisão entre as duas aeronaves deu-se precisamente às 16h56min54s, do dia 29 de setembro, em Mato Grosso. De acordo com o relatório, às 16h53min39s, o controle aéreo de Brasília fez contato com o Legacy para passar duas freqüências de rádio do Centro Amazônio que dariam outras orientações ao jato. A FAB afirma que os pilotos do Legacy não conseguiram anotar as informações no primeiro contato, e pediram que a mensagem fosse repetida 18 segundos depois.

Segundo o relatório, não houve tentativa de contato entre Legacy e torre de Brasília entre 15h51 e 16h26. A partir deste último horário, a torre de Brasília tentou chamar o jato por sete vezes até 16h53. Somente neste horário, o jato teria respondido, informando que não havia conseguido entender a informação passada pela torre de Brasília.

Segundo o relatório, o próprio jato começou a fazer contato a partir de 16h48, com 12 chamadas até 16h53. Após esta última chamada, o Legacy tentou falar, sem sucesso, mais sete vezes com a torre, até o momento da colisão com o avião da Gol, às 16h56. O relatório alerta que não houve qualquer problema de comunicação com o Boeing da Gol

O Legacy decolou às 14h15 e atingiu 37 mil pés às 15h33, nível mantido até o momento da colisão, segundo o coronel. O choque ocorreu, provavelmente entre a asa esquerda do jato e a asa esquerda do Boeing. Após o choque, o avião da Gol ficou incontrolável, iniciando imediato mergulho até o solo, em Mato Grosso.

Após a colisão, o avião da Gol percorreu seis quilômetros em queda. Ele estava em uma altura de 11 km. Com uma velocidade de 800 km/h, teria levado cerca de um minuto para tocar o solo.

Segundo o coronel, não houve nenhuma comunicação informando sobre tráfego para os pilotos do vôo 1907. "No ponto que ocorreu a colisão é o local onde ocorre a transição de competências", disse. Ou seja, cada aeronave estava sob a observação de um Cindacta diferente.

O coronel Rufino disse que problemas de comunicação podem ter contribuído para o acidente da Gol, mas a hipótese ainda está sendo avaliada. "É prematuro afirmar qualquer coisa".

Investigação
O relatório é composto de três partes: a primeira analisa os fatores operacionais que levaram ao acidente, outra trata da parte técnica dos equipamentos e uma terceira, de possíveis falhas humanas. O presidente da comissão também vai falar sobre os próximos passos da investigação que está em andamento.

De acordo com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, o objetivo da investigação é levantar os fatores que contribuíram para o acidente e formular recomendações para a segurança de vôo.

Redação Terra