Cícero Afonso
Direto de Presidente Bernardes
São Paulo
» CORREÇÃO: Greve de fome de Marcola chega ao oitavo dia
Além de Marcola, outros 43 presos aderiram ao protesto. Dois deles foram transferidos em função do término do período de internação no sistema Regime de Disciplina Diferenciado (RDD).
A greve de fome - que nos primeiros dias foi recebida com ironia pelo governador Cláudio Lembo (PFL) - agora preocupa: "Com mantimentos do jumbo (sacola com mantimentos trazidas pelas visitas), até eu faço greve de fome", afirmou.
Durante o final de semana, funcionários teriam flagrado alguns dos presos que também aderiram ao protesto e recusaram a alimentação, mas que estavam se alimentando com açúcar e bolachas. O açúcar estava estocado desde o início do mês, quando eles receberam o jumbão e as bolachas que eram servidas no café da manhã, foram reservadas durante certo tempo para suprir as necessidades de alimentação durante a greve de fome.
Protesto
No domingo, um grupo de mulheres de presos, permaneceu por alguns minutos na portaria da unidade, ostentando faixas e cartazes que protestavam sobre o tratamento dos sentenciados. As faixas faziam alusão ao desconforto dos sentenciados devido ao forte calor, principalmente depois que foram instaladas chapas de ferro nas janelas e ventanas das celas.
Nesta segunda-feira, os sentenciados recusaram a receber pela manhã café e pão com margarina e o almoço cujo cardápio foi arroz, feijão, lingüiça e polenta. As refeições foram doadas, porém, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não soube informar qual foi a entidade beneficiada.
Em nota, a SAP divulgou apenas que "a greve de fome no CRP de Presidente Bernardes entra no 8º dia. A Secretaria de Administração Penitenciária esclarece que 42 presos do Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes estão participando da greve de fome. A unidade possui ao todo 56 presos. O motivo é a reforma na Unidade, que realizou adaptação e reforço nas celas, com a finalidade de melhorar a segurança do CRP, impedindo a comunicação entre os sentenciados. A rejeição à alimentação é uma opção do preso. Cabe ao Estado prestar assistência médica necessária, porém, a SAP cumpre à Lei e não cederá às reivindicações", diz a nota.
Ao que tudo indica, a nota divulgada pela assessoria, deve ser a mesma de outras oportunidades que foi arquivada e distribuída, pois até o momento, nenhuma reivindicação foi feita por parte dos presos.
Redação Terra