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FHC diz que não pode competir com imagem de Lula

09 de novembro de 2006 18h46

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira em Nova York que não pode competir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao comentar a imagem que Lula tem junto ao eleitorado brasileiro. "Eu não posso competir com o Lula. Eu não sou espetacular. Foi por isso que eu inventei o real", disse FHC, se referindo ao carisma de Lula, que foi reeleito com 60% dos votos.

FHC afirmou que durante a campanha eleitoral, Lula jamais falava sobre o que iria fazer caso recebesse um segundo mandato do povo. "O Lula é a sua própria proposta de governo. O eleitorado sente isso. Ele representa a mobilidade social. Mas eu não sou nada disso", afirmou FHC.

"O Lula foi reeleito, e não o PT. É uma coisa extremamente pessoal, a maneira como os candidatos se comportam na TV".

Reformas
O ex-presidente brasileiro falou sobre Lula durante uma palestra promovida pelo centro de pesquisas Americas Society - Council of the Americas nesta quinta-feira. Sobre o desempenho de Lula na televisão, FHC disse: "Lula é muito bom. Ele é muito fluente sobre coisas que ele não sabe. Ele comete erros muito precisos. É extremamente difícil competir com esse tipo de gente".

De acordo com o ex-presidente, a oposição apoiará as reformas a serem propostas pelo governo, "caso elas sejam necessárias e viáveis". "A bola está nas mãos deles,¿ disse, referindo-se ao presidente Lula e ao PT. ¿Eles terão que convencer a oposição democraticamente sobre a seriedade de suas políticas". "Eu garanto a vocês que nós votaremos a favor das reformas que promovam o avanço do País".

Partidos
De acordo com o ex-presidente, para alcançar um estágio de desenvolvimento sustentável, o Brasil precisa passar por uma nova rodada de reformas, às quais se referiu como "um negócio inacabado".

A pauta de reformas sugeridas por FHC inclui a do sistema previdenciário, fiscal, do sistema judiciário e do sistema político. "É preciso que os políticos brasileiros prestem contas à sociedade", disse. "Isso é fácil de falar, mas é difícil de fazer".

Segundo ele, a base da reforma deveria ser o fortalecimento partidário, através da criação de listas fechadas indicando os nomes dos candidatos, que se tornariam mais leais ao eleitorado e aos partidos.

"Isso aumentaria o controle dos partidos. Hoje o povo não reconhece os partidos, porque eles não refletem a realidade. O Partido Progressista, por exemplo, é um partido conservador, e o Partido dos Trabalhadores é apoiado pelos bancos".

Indagado sobre o futuro da sua sigla, o PSDB, cujo candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, foi derrotado por Lula, FHC disse que o partido não deverá se mover "nem à esquerda e tampouco à direita, mas adiante". "Ser de esquerda hoje significa ser contra os Estados Unidos e a favor de um Estado grande. E ser de direita não representa nada, mas ser a favor do clientelismo".

Sobre as disputas internas no PSDB, especialmente entre os governadores Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, que tomará posse do governo de São Paulo em 2007, FHC disse: "nosso problema é ter uma abundância de bons líderes". Ele acrescentou que esse não é caso dos demais partidos. "Hoje nós não sabemos quem será capaz de ser candidato (a Presidente da República)".

BBC Brasil
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