D. Cláudio é indicado para alto posto no Vaticano

31 de outubro de 2006 • 08h29 • atualizado às 15h05

O papa Bento XVI nomeou nesta terça-feira o cardeal d. Cláudio Hummes para chefiar o poderoso departamento do Vaticano que gerencia os padres católicos do mundo. Hummes, 72 anos, foi considerado um forte candidato ao papado durante o conclave que elegeu Bento XVI em abril de 2005.

O arcebispo de São Paulo será prefeito da Congregação para o Clero, posto que lida com assuntos relacionados a padres, assim como alguns aspectos da educação religiosa. D. Cláudio sucederá o cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos.

"Eu recebo (o convite) com muita emoção e com muita humildade, muito consciente dos meus limites, mas totalmente à disposição do papa, uma vez que o papa chama e quando o papa chama eu vejo nisso a voz de Deus também", afirmou d. Cláudio à TV Canção Nova. Ele disse também que vai se preparar aos poucos para a nova função e que ainda não sabe quando vai se transferir para Roma.

A nomeação do arcebispo de São Paulo para prefeito da Congregação para o Clero, uma espécie de ministério responsável pelo trabalho dos 400 mil padres do mundo e também por alguns aspectos da educação religiosa, representa um reconhecimento da importância que o Vaticano dá ao Brasil, maior país católico do mundo.

"Acho que a escolha de d. Cláudio (Hummes) para a Prefeitura para o Clero é uma grande honra para o episcopado brasileiro. Por meio dele, a Igreja brasileira é chamada a trabalhar estreitamente com o papa", disse à Reuters dom Odilo Scherer, secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e bispo auxiliar de São Paulo. "(Os prefeitos) são os mais estreitos colaboradores do papa no governo de toda a Igreja."

Hummes será o brasileiro com maior influência no Vaticano. Entre suas tarefas mais delicadas estará lidar com os escândalos sexuais envolvendo a Igreja em vários países.

A entrada de Hummes no círculo de "manda-chuvas" do Vaticano aumenta suas chances de se tornar papa se houver outro conclave antes de ele completar 80 anos, o limite para a participação dos cardeais nessas escolhas. Ele é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem ajudou na época de sindicalista, durante a ditadura militar (1964-85).

Ironicamente, Hummes apoiava a Teologia da Libertação no começo da década de 1980, quando o influente cardeal alemão Joseph Ratzinger - hoje Bento XVI - escreveu um polêmico documento criticando o envolvimento de padres na política.

Hummes, que ajudou sindicatos de esquerda na luta política contra a ditadura, tornou-se mais moderado desde então, embora continue defendendo o MST, os sem-teto e os movimentos de moradores de favelas.

"Vejo a perspectiva simbólica de Hummes influenciar as raízes da Igreja. Isso é um reconhecimento para o Brasil, onde vive um em cada dez católicos (do mundo) e onde a Igreja é estreitamente ligada às classes pobres", disse Fernando Altemeyer, professor de Teologia na PUC-SP.

Ele vai suceder ao cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos como chefe da Congregação para o Clero. O Vaticano disse que Castrillón continuará no comando do departamento chamado Ecclesia Dei, que tenta resolver o cisma com os católicos ultraconservadores que romperam com o Vaticano em 1988.

Quanto a Hummes, no momento em que ele tomar posse no Vaticano, ele deixa de ser arcebispo de São Paulo.

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