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 Insegurança na Tijuca leva a "táticas de guerra"
24 de outubro de 2006 03h41 atualizado às 07h58

Para entrar no prédio onde mora, na Tijuca, na capital fluminense, a securitária Áurea Pinto, 66 anos, adota todas as noites uma "tática de guerra": passa pelo edifício, pisca o farol, buzina e dá a volta no quarteirão. Enquanto isso, o vigia se apressa em abrir o portão para que ela entre sem ter de parar na calçada e não corra o risco de ser rendida por assaltantes.

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A medida é sintoma do pânico dos ataques de assaltantes e revela a mudança nos hábitos de moradores da região - onde há pelo menos 13 ruas aterrorizadas por bandidos, segundo um levantamento feito pela reportagem com base em casos recentes e em números da 18ª DP (Praça da Bandeira).

A rotina de violência que assusta o bairro ficou ainda mais evidente na noite de sábado, quando uma família foi atacada duas vezes em três minutos. O primeiro assalto ocorreu na rua Alfredo Pinto, onde uma dupla rendeu o engenheiro Eduardo Teixeira, 35 anos, sua irmã, o filho dele, com 5 anos de idade, e a sobrinha de 14 anos. Os bandidos entraram no Astra de Eduardo e mantiveram as vítimas no carro como reféns. Enquanto um dos ladrões assumiu a direção, o outro roubava os pertences da família. Na avenida Melo Matos, porém, os assaltantes foram surpreendidos pelo cerco de outros três criminosos, que levaram o veículo.

Na noite de segunda-feira, no Grajaú, bairro vizinho à Tijuca, duas pessoas foram baleadas em um assalto. Dois criminosos em uma moto abordaram o dono de um Honda Civic que estava parado no sinal de trânsito. A dupla atirou no motorista e no carona para roubar dinheiro.

Moradora da Melo Matos, a aposentada Otília Hinke, 70, perdeu as contas das histórias de roubos na área. Seu filho, um professor de história com 30 anos de idade, já foi uma das vítimas. Ele teve arma apontada na cabeça quando entrava na garagem. Traumatizado, desistiu de ter carro e só anda de táxi.

"Não adianta colocar policiamento quando acontece caso de repercussão. Depois de alguns dias eles saem mesmo", lamentou ela.

Responsável pela igreja messiânica Johrei, também na Melo Matos, Roberto Nascimento antecipou em uma hora o fim dos cultos e contratou seguranças - em parceria com comerciantes - para acompanhar fiéis até os pontos de ônibus. "Quando saio daqui, sempre fico parado no portão, observando a movimentação. Só vou embora quando percebo que está tudo tranqüilo".

A polícia está à procura de um dos líderes de quadrilha de ladrões de carros na Tijuca. Diego de Sousa Ignácio, o Dieguinho, 21 anos, tem três mandados de prisão e já foi reconhecido em quatro assaltos a motoristas. O delegado da 18ª DP, Carlos da Silva Magalhães, acredita que ele participou do primeiro ataque à família do engenheiro no sábado. "Às vezes, Dieguinho coloca a arma dentro de uma caixa de doce e se passa por vendedor", relatou.

Comerciante e amigo baleados no Grajaú
Bandidos tentaram roubar ocupantes de um Honda Civic e balearam, ontem à noite, o comerciante Wilson Godinho, 40 anos, e um amigo dele, identificado apenas como Marcos, na rua Barão do Bom Retiro, no Grajaú. Policiais do 6º BPM (Tijuca) escutaram os disparos e perseguiram os criminosos. Houve troca de tiros, mas os ladrões conseguiram fugir.

O ataque aconteceu depois que Wilson saiu de sua farmácia, por volta das 19h40. Ele dava carona para Marcos, que é representante de laboratório. Eles foram rendidos por dois bandidos em uma moto, que exigiram a entrega de uma sacola, onde haveria dinheiro.

Apesar de passar uma das bolsas que carregava para os bandidos, Wilson foi baleado em uma das mãos. Quando os PMs chegaram, os assaltantes reagiram e Marcos foi atingido no braço e perna. De acordo com a polícia, ocupantes de um Palio prata davam cobertura à ação dos criminosos. Medicadas no Hospital do Andaraí, as vítimas passam bem.

Pontos sem policiamento
O mapa da violência na Tijuca revela que em 13 ruas há o perigo iminente de assaltos a motoristas. Nesses locais acontece a maioria das ocorrências que chega à 18ª DP (Praça da Bandeira) e à 19ª DP (Tijuca).

No entanto, oito desses pontos não vão receber reforço imediato de efetivo. No planejamento de atuação do Batalhão de Polícia de Trânsito (Bptran) traçado para a região, iniciado ontem, as áreas problemáticas contempladas são as ruas São Francisco Xavier e Conde de Bonfim, a Praça Afonso Pena, próximo à rua Doutor Satamini, e o Largo da Segunda-Feira, perto da avenida Melo Matos.

Inicialmente, o Bptran colocou 10 homens nas ruas, uma patrulha e duas motocicletas. O efetivo vai atuar dia e noite, em dois turnos. "Esse reforço já estava previsto, não tem ligação com o que aconteceu no fim de semana. Vamos aumentar a atuação nos corredores de entrada e saída do bairro para, assim, inibir a criminalidade", disse o comandante do BPtran, coronel Jorge Alfaia.

O 6º BPM (Tijuca) anunciou reforço no policiamento. Na próxima semana, mais 30 PMs em cinco viaturas estarão nas ruas.

Memória - violência na região
Dia 27 de setembro - dois homens foram mortos após tentar roubar um carro na rua Conde de Bonfim, próximo à praça Saens Peña. Os ocupantes do veículo reagiram. O tiroteio causou pânico.

Na esquina da Doutor Satamini com São Francisco Xavier, o PM Vagner Salvatore, 43, reagiu a tiros ao ataque de dois ladrões em 20 de setembro e matou um deles. O outro fugiu. A dupla queria o Siena do PM.

Em 10 de setembro, Daniel Figueira, 14 anos, foi baleado durante o roubo do Citroën do tio na esquina da rua José Higino com a avenida Maracanã. Em pânico, ele correu e foi atingido.

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