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O torneiro mecânico fez mais que o doutor, diz Lula

22 de outubro de 2006 14h24

Em um comício no bairro Cidade Tiradentes, periferia da Zona Leste paulistana, o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PRB/PCdoB) fez um discurso marcado pela questão da pobreza. "Nós fizemos um governo para 190 milhões de pessoas e não para uma minoria, como se fazia antes", afirmou. "Este pernambucano, criado em São Paulo, que só tem como formação o curso de torneiro mecânico foi capaz de fazer em quatro anos mais o que um doutor em oito", disse, em referência a seu antecessor, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

"Aprendi com minha mãe e minha mulher que a gente precisa sempre estar cuidando daqueles mais fracos, porque o rico não precisa do Estado brasileiro, quem precisa do Estado é o povo pobre deste país". Mesmo com o discurso marcado pela questão da pobreza, Lula afirmou que não quer dividir o país entre pobres e ricos.

"Eu não quero dividir porque eu já fui pobre", afirma. "Foram eles que dividiram, por mim não tinha ricos e pobres, só ricos".

Lula saudou a presença de militantes do Movimento Sem Universidade (MSU) e lembrou que, das 204 mil bolsas oferecidas pelo ProUni, 74 mil estão no estado de São Paulo.

"Nosso projeto é governar para todos e o projeto deles é só privatizar", afirmou. A coordenadora da campanha de Lula em São Paulo, Marta Suplicy, fez discurso e também destacou o tema da privatização. "Nunca esteve no programa do PSDB, mas privatizaram". Segundo ela, votar em Geraldo Alckmin (PSDB/PFL) "é aumentar a diferença entre ricos e pobres".

O ato começou com uma caminhada pelo bairro, às 11h30 e terminou às 12h30, com o comício. Estavam presentes do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), o ministro do Trabalho Luiz Marinho, e o prefeito de Recife, João Paulo.

Também estiveram presentes o cantor e deputado eleito Frank Aguiar (PTB-SP) e o cantor Netinho, ex-vocalista do Negritude Jr. "Quem de vocês não se lembra do apagão?", questionou Aguiar. Ele afirmou que teve de cancelar um show por causa da crise de falta de energia em 2001. "Show tudo bem, mas e os hospitais?" Netinho também discursou e defendeu um "cara que viveu coisas que só a gente que é do gueto viveu". "Esta eleição é um divisor de águas porque é de luta de classes", afirmou.

Agência Brasil