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RJ: idosa que baleou ladrão passa o dia sedada

09 de outubro de 2006 03h02

A aposentada Maria Dora dos Santos Arbex, 67 anos, que reagiu a uma tentativa de assalto baleando o ladrão neste sábado, no Flamengo, permaneceu o dia de domingo sob efeito de medicamentos enquanto aguardava em liberdade a decisão da Justiça. Depois de passar quase um dia inteiro na 9ª DP (Catete), onde foi autuada pelos crimes de lesão corporal dolosa e porte ilegal de arma de fogo, Maria Dora deixou a delegacia na madrugada de domingo.

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"Conseguimos que o plantão judiciário expedisse sua liberdade provisória. Mas ela está sedada por recomendação médica, e muito abalada com tudo", contou Marcio dos Santos Arbex, 37 anos, lembrando que a mãe é hipertensa. A advogada de Maria Dora, Cláudia Albernaz, disse que ainda estuda qual será a melhor alegação que usará para tentar inocentar a idosa, que poderá ser condenada a até cinco anos de prisão.

"Aleguei fatores como legítima defesa para que ela responda ao processo em liberdade. O juiz entendeu que ela não representa nenhum perigo à sociedade", explicou Cláudia.

Maria Dora ficou em casa durante todo o dia de ontem. Ao deixar a delegacia, a aposentada estava visivelmente abalada, queixando-se de cansaço e de dores atrás do ouvido. "Estou sentindo uma dor na veia aqui nessa região. Logo depois do tiro, senti um impacto grande na área", descrevia Maria Dora, enquanto saía da 9ª DP na madrugada de sábado, acompanhada dos filhos.

A aposentada aproveitou para lamentar a falta de segurança em seu bairro. "O pessoal da minha vizinhança toda sofre o mesmo tipo de insegurança que eu. Sei que muitos se sentem ameaçados. Tem gente jovem que também já foi assaltada. Mas as pessoas da terceira idade são ainda mais maltratadas. Isso é uma grande covardia", reclamou.

Acusado pela aposentada de tentar assalta-lá com um canivete, Alexandre foi levado para a carceragem da Polinter na noite de sábado. Ele poderá ser condenado a pena de seis anos e um mês de prisão. Segundo policiais da 9ª DP (Catete), até a tarde de ontem ninguém procurou a delegacia para reconhecê-lo por outros crimes.

Para o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), reações como a de Maria Dora são preocupantes. "Uma ação dessa poderia resultar numa tragédia para a pessoa que está tentando se proteger", afirmou o especialista.

Vizinhos apóiam a atitude
Ontem, vizinhos da rua Marquês do Paraná, no Flamengo, onde mora Maria Dora, se comoveram com o caso da enfermeira aposentada. "As pessoas do bairro estão a favor dela. O rapaz que tentou assaltá-la vive bêbado e fica atormentando todo mundo no bairro", informou um morador, que preferiu não se identificar. "Tem muito menino de rua aqui. Vejo senhoras atravessando fora da faixa, por exemplo, com medo deles", contou outra moradora da rua, identificada apenas como Isabela, 25 anos, que sempre encontra Maria Dora passeando com o poodle Igor.

Ainda de acordo com os moradores da Rua Marquês do Paraná, Alexandre Cardoso Pereira, 21 anos, baleado na mão esquerda pela idosa, vive pelas ruas do bairro há pelo menos 10 anos.

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