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Comandante da invasão do Carandiru é morto em SP

11 de setembro de 2006 01h13 atualizado em 14 de setembro de 2006 às 20h15

Coronel era candidato à reeleição. Foto: Divulgação

Coronel era candidato à reeleição
Foto: Divulgação

O deputado estadual pelo PTB de São Paulo e candidato à reeleição Ubiratan Guimarães, que coordenou a invasão do presídio do Carandiru em 1992, com o saldo de 111 presos assassinados, foi encontrado morto com um tiro no abdômen em seu apartamento neste domingo à noite, no bairro paulistano dos Jardins. Guimarães, 63 anos, era coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde atuou por mais de três décadas.

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Para a polícia, trata-se de homicídio. Segundo declarou ao jornal O Estado de S.Paulo o delegado-geral da Polícia Civil paulista, Marco Antônio Desgualdo, "por enquanto, trata-se de homicídio de autoria desconhecida". A principal hipótese é de que o coronel tenha sido morto por uma pessoa próxima, pois a porta da área de serviço do apartamento estava aberta. A última pessoa vista saindo do apartamento, na noite de sábado, foi a namorada de Ubiratan, Carla - ela deverá prestar depoimento na manhã de hoje.

Desgualdo disse ainda que, em princípio, a morte não tem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em outubro do ano passado, o diretor do Carandiru na época do massacre, José Ismael Pedrosa, foi executado em Taubaté (SP), em ação atribuída à facção criminosa.

Após realizar perícia preliminar, ainda no apartamento, a polícia informou que a morte de Ubiratan deve ter ocorrido no sábado, pelo menos 15 horas antes de o corpo ser encontrado - por volta das 22h de domingo. Recolhidas para análise, as três armas do coronel não foram disparadas.

O chefe de gabinete de Guimarães, Eduardo Anastasi, foi quem localizou o cadáver, caído na sala, enrolado em uma toalha. Entrevistado pela rádio Bandeirantes, Anastasi disse que estranhou o fato de Ubiratan não ter entrado em contato durante todo o dia, como costumava fazer. Anastasi disse que resolveu pegar as chaves do apartamento na casa de Carla para ver o que tinha ocorrido.

"Recebi ligações dos filhos de Ubiratan perguntando onde ele estava, já que não tinha telefonado como de costume. Então busquei as chaves na casa da namorada dele. Quando cheguei na porta do apartamento, vi que as luzes estavam acesas e os jornais permaneciam na entrada", revelou.

O advogado de Ubiratan e deputado federal pelo PTB paulista, Vicente Cascione, compareceu ao prédio e reiterou a suspeita de que uma pessoa próxima assassinou o coronel. Ele ressaltou que não há indícios de execução.

"Não houve luta corporal, e a porta da área de serviço estava aberta", declarou à rádio CBN.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil assumiu as investigações - o corpo foi encaminhado para necrópsia no Instituto Médico Legal. Ubiratan Guimarães será velado hoje, no Regimento de Cavalaria da Polícia Militar. O enterro será realizado às 16h30, no cemitério Horto Florestal, no Jardim Tremembé, na capital paulista.

Julgamento
Devido ao massacre do Carandiru, Ubiratan chegou a ser condenado a 632 anos de prisão pela morte de presos no pavilhão 9, mas em fevereiro passado o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou recurso e o absolveu. A decisão gerou protestos de órgãos nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos.

O argumento de que o coronel agiu no "estrito cumprimento do dever" ao dar a ordem para que os policiais militares invadissem o pavilhão 9 do Carandiru foi aceito pelos desembargadores do Órgão Especial do TJ-SP.

Ubiratan foi acusado de excesso ao reprimir a rebelião na penitenciária. A ação policial deixou 111 mortos. O coronel foi responsabilizado diretamente por 102 mortes.

Ubiratan Guimarães passou por todos os postos da hierarquia militar, sempre preferindo as unidades de policiamento nas ruas: Comandante do 1º Batalhão de Choque (Rota), do Regimento de Cavalaria 9 de Julho e do Policiamento Metropolitano.

Redação Terra