Conselho abre processo contra 67 "sanguessugas"

22 de agosto de 2006 • 11h29 • atualizado às 11h52

Maria Clara Cabral
Direto de Brasília

Brasília


O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados abriu nesta manhã os processos disciplinares contra 67 deputados acusados de participação na máfia das ambulâncias. A cassação do mandato dos parlamentares foi indicada pela CPI dos Sanguessugas, no maior escânadalo do Congresso Nacional da história.

A partir de agora, nenhum dos acusados pode renunciar ao cargo. Apenas dois deles apresentaram suas renúncias à Câmara: Marcelino Fraga (PMDB-ES) e Coriolano Sales (PFL-BA).

Os deputados serão notificados pessoalmente pelo conselho. Caso não sejam encontrados, as notificações serão enviadas para os gabinetes. Em último caso, o Conselho de Ética deve enviar um telegrama ao deputado informando que a notificação será feita por edital.

No próximo dia 04, os membros do Conselho se reúnem para sortear os relatores. A princípio serão escolhidos 28 processos para serem julgados. O critério para escolher qual deputado irá primeiro será definido ainda hoje pelo presidente Ricardo Izar (PTB-SP). Segundo ele, os 15 contra os quais há evidências concretas devem ter prioridade.

Izar afirmou ainda que há condições de julgar muitos casos ainda este ano no Conselho. Sobre o baixo número de renúncias, o presidente afirmou: "Hoje o período é diferente. Há novidade pelo grande número de processos e também pelo recesso branco. Tudo isso torna as coisas mais difíceis".

Questionado se acredita na impunidade dos deputados, assim como aconteceu no mensalão, Izar disse que agora o sentimento da população é diferente. "Os deputados estão em suas bases e estão sentindo a indignação da população", afirmou.

Redação Terra
 
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