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 Idosa passa quatro horas em necrotério ainda viva
07 de agosto de 2006 13h51 atualizado às 16h54

A 58ª Delegacia de Polícia (Comendador Soares) está investigando uma denúncia grave contra o Hospital da Posse, de responsabilidade do município, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Maria José Neves, 72 anos, foi diagnosticada como morta pelos médicos da unidade por volta das 11h40 deste domingo e levada para o necrotério. Só que na verdade ela não tinha morrido e o fato foi percebido mais de quatro horas depois, por volta das 15h, quando a família preparava o corpo para ser colocado no caixão.

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Maria José Neves, que era viúva e não tinah filhos, foi internada na última segunda-feira com diabetes, infecção generalizada e seqüelas de um acidente vascular cerebral. Ela não estava falando e se comunicava somente com os olhos.

Segundo os sobrinhos-netos, a aposentada teria a ficado no necrotério dentro de um saco plástico sobre uma mesa de mármore. Ao perceberem que ela estava respirando, os netos levaram a idosa para o hospital em estado grave. Ela foi entubada novamente e os médicos fizeram procedimento de ressucitação. Contudo, ela estava muito debilitada e acabou morrendo às 18h.

O sobrinho Marcelo Henrique dos Santos, 28 anos, contou que quase se descontrolou quando viu que sua parente estava viva. "Levei um susto e fiquei com muita raiva. Quis até bater no funcionário do necrotério, mas me controlei", disse.

Atestado de óbito
Os parentes contam que os médicos chegaram a assinar o atestado de óbito, mas os documentos teriam sido confiscados e rasgados por funcionários do hospital. Alguns pedaços do termo de reconhecimento do corpo foram recuperados. A polícia quer ouvir todos os médicos do hospital que fizeram parte do tratamento de Maria José e também requisitaram à administração do hospital todo seu prontuário médico, incluindo os dois atestados de óbito.

A família quer saber se o tempo que ela teria passado dentro do saco plástico, com dificuldades de respirar, pode ter causado a morte. Segundo os parentes, o primeiro atestado de óbito regitrava morte por enfisema pulmonar.

A 58ª DP vai investigar se houve negligência médica. A direção do Hospital da Posse informou que também já abriu sindicância para apurar a morte da aposentada.

O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) disse que vai acompanhar as investigações através do Conselho Médico do próprio hospital da posse. Serão ouvidos os médicos envolvidos no caso, o funcionário do necrotério e a família da paciente. O corpo está no Instituto Médico Legal (IML) e será necropsiado. Para agilizar o enterro, partes dos órgãos da aposentada foram removidas para serem periciadas no IML, e seu corpo já está sendo preparado para o enterro.

Reunião
Nesta terça-feira o Cremerj se reúne às 10h e o assunto será discutido. Caso a sindicância não seja arquivada, os médicos responsáveis podem receber uma notificação confidencial ou mesmo perderem o registro profissional.

Redação Terra