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Maria José Neves, que era viúva e não tinah filhos, foi internada na última segunda-feira com diabetes, infecção generalizada e seqüelas de um acidente vascular cerebral. Ela não estava falando e se comunicava somente com os olhos.
Segundo os sobrinhos-netos, a aposentada teria a ficado no necrotério dentro de um saco plástico sobre uma mesa de mármore. Ao perceberem que ela estava respirando, os netos levaram a idosa para o hospital em estado grave. Ela foi entubada novamente e os médicos fizeram procedimento de ressucitação. Contudo, ela estava muito debilitada e acabou morrendo às 18h.
O sobrinho Marcelo Henrique dos Santos, 28 anos, contou que quase se descontrolou quando viu que sua parente estava viva. "Levei um susto e fiquei com muita raiva. Quis até bater no funcionário do necrotério, mas me controlei", disse.
Atestado de óbito
Os parentes contam que os médicos chegaram a assinar o atestado de óbito, mas os documentos teriam sido confiscados e rasgados por funcionários do hospital. Alguns pedaços do termo de reconhecimento do corpo foram recuperados. A polícia quer ouvir todos os médicos do hospital que fizeram parte do tratamento de Maria José e também requisitaram à administração do hospital todo seu prontuário médico, incluindo os dois atestados de óbito.
A família quer saber se o tempo que ela teria passado dentro do saco plástico, com dificuldades de respirar, pode ter causado a morte. Segundo os parentes, o primeiro atestado de óbito regitrava morte por enfisema pulmonar.
A 58ª DP vai investigar se houve negligência médica. A direção do Hospital da Posse informou que também já abriu sindicância para apurar a morte da aposentada.
O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) disse que vai acompanhar as investigações através do Conselho Médico do próprio hospital da posse. Serão ouvidos os médicos envolvidos no caso, o funcionário do necrotério e a família da paciente. O corpo está no Instituto Médico Legal (IML) e será necropsiado. Para agilizar o enterro, partes dos órgãos da aposentada foram removidas para serem periciadas no IML, e seu corpo já está sendo preparado para o enterro.
Reunião
Nesta terça-feira o Cremerj se reúne às 10h e o assunto será discutido. Caso a sindicância não seja arquivada, os médicos responsáveis podem receber uma notificação confidencial ou mesmo perderem o registro profissional.
- Redação Terra

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