RJ: operação prende ex-superintendentes da PF

21 de julho de 2006 • 10h55 • atualizado às 14h46

A Polícia Federal encerrou no início das tarde desta sexta-feira a Operação Cerol. Desde as 6h, agentes cumpriam 17 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em mais de 40 locais no Rio de Janeiro. Entre os presos estão oito policias federais, sendo seis delegados (dois ex-superintendentes), um agente e um escrivão. Foram detidos também dois empresários e sete advogados.

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O objetivo era desarticular uma quadrilha de empresários que fraudava inquéritos da Previdência e Receita, e cometia crimes contra a administração pública e administração da Justiça, com a ajuda de policiais federais. Segundo a PF, as empresas contratavam escritórios de advogados que tinham contatos com delegados e agentes federais, que facilitavam e aliciavam essas empresas nos inquéritos a que respondiam.

A associação criminosa de advogados e empresários, chefiada pelo advogado Tarcisio de Figueiredo Pelúcio, vinha sendo investigada há cerca de um ano.

Ainda de acordo com a PF, o esquema criminoso que se instalou a partir de promessa de vantagens a policiais federais, consistia em redistribuir aos envolvidos determinados inquéritos, o que permitiria posteriores acertos com os investigados, por meio de investigações lenientes, diligências protelatórias, apurações propositadamente deficientes ou mesmo pedidos de arquivamento em benefício de alguns advogados e pessoas físicas.

Os principais beneficiados do esquema no período investigado são clientes do escritório de advocacia Michel Assef, cujo principal atuante seria o advogado Monclar Gama, e os empresários ligados à empresa de vigilância Vigban, Renato Paula de Almeida e Jorge Delduque. Entre os vários clientes beneficiados estão o Clube de Regatas do Flamengo.

Mais de 150 policiais federais de outros estados, chefiados pelo delegado federal de Brasília Zulmar Pimentel, participaram das atividades. A casa do delegado Roberto Prel, o escritório da PF no Aeroporto Tom Jobim e o escritório da Interpol no Rio foram alguns dos locais onde a PF cumpriu mandados de busca e apreensão.

Os presos e detidos estão na Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, Centro da cidade. Eles devem ser transferidos ainda nesta sexta para São Paulo, onde ficaram em cárcere. A todo momento chegam viaturas da PF com vários malotes contendo os materiais apreendidos.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Federal de Brasília, uma coletiva com a imprensa está marcada para as 15h.

Confira a lista dos presos:

Policias federais
1 - Jorge Maurício Mendes de Almeida (delegado)
2 - Mauro de Miranda Montenegro (delegado)
3 - Paulo Sérgio Vieira Cavalcante Mendes Baltazar (delegado)
4 - Daniel Leite Brandão (delegado)
5 - José Milton Rodrigues (ex-superintendente)
6 - Jairo Hevecio Kulmann (ex-superintendente)
7 - Álvaro Andrade da Silva (escrivão)
8 - Antônio Xavier Mendes (agente)

Advogados
1- Mário Roberto Afonso de Almeida
2 - Monclar Eugênio Gama
3 - Clóvis Maurício Alves Pfaltzgraff
4 - Mário Jorge Campos Rodrigues
5 - Patrícia Esteves de Pinho
6 - Paulo Henrique Vilela Pedras
7 - Tarcísio de Figueiredo Pelúcio

Empresários
1 - Renato Paula de Almeida
2 - Jorge Antônio de Andrade Delduque

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