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Selic cai, mas juro real segue na casa de 2 dígitos

20 de julho de 2006 00h54

O Banco Central cortou o juro básico brasileiro na quarta-feira pela nona vez seguida. A Selic foi reduzida em 0,50 ponto percentual, para 14,75% ao ano, em linha com as expectativas do mercado.

Segundo o BC, a taxa é a menor desde 1986 - quando tem início a série histórica da Selic. O juro nominal também é o mais baixo desde que a Selic tornou-se a taxa referencial do país, em 1999.

O BC iniciou em setembro de 2005 a redução da Selic. Naquela ocasião, a taxa estava em 19,75 por cento ao ano. A decisão desta quarta-feira foi unânime e o BC segue sem viés - mecanismo que permitiria mudança na Selic antes da próxima reunião do Copom, agendada para os dias 29 e 30 de agosto.

Juro real de dois dígitos
Em termos reais, no entanto, o juro brasileiro ainda é de dois dígitos. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou em nota seu descontentamento com a decisão do BC de baixar o juro em 0,50 ponto.

De acordo com a entidade, o juro real continua acima dos 10%, considerando a inflação projetada para este ano. "Há espaço para queda mais acentuada da Selic, só o BC não vê", opinou a Fiesp.

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, também observa o problema de se ter uma taxa de juro real elevada. "Nota-se que ainda há muito que se fazer no campo da taxa de juro real, pois é uma das maiores do mundo e isso implica um maior direcionamento dos investimentos para o setor financeiro, em detrimento do setor produtivo."

O Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu, em um breve comunicado, que irá "acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião" para definir os passos seguintes.

Nova taxa era esperada
Pesquisa da Reuters na semana passada mostrou que 18 de 20 economistas projetavam redução da Selic em 0,50 ponto percentual. Os outros dois estimavam corte de 0,25 ponto.

Analistas acreditam que dados benignos de inflação e a recuperação moderada da atividade econômica não exigiam cautela maior no afrouxamento monetário por parte do BC, apesar das turbulências externas e do recente aumento do preço do petróleo.

Nesta semana, o mercado reduziu novamente a previsão de inflação neste ano, segundo o relatório Focus. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu para 3,77% em 2006, ante 3,81 por cento na semana anterior.

A estimativa está bem abaixo da meta central definida pelo governo para o ano, que é de 4,5%.

Para a economista-chefe da BES Investimentos, Sandra Utsumi, essa foi uma das decisões mais confortáveis do BC. Segundo ela, a dificuldade para a condução da política monetária começa daqui para frente.

"A partir de agosto, a gente vai ter uma visão mais clara em relação à magnitude das pressões que podem vir de fora do país, além de uma análise do impacto do afrouxamento monetário passado", comentou.

O economista-chefe do Unibanco Asset Management, Alexandre Mathias, acredita que o BC terá que atuar de forma mais cautelosa adiante e prevê uma parada técnica na redução do juro em alguns meses.

Reuters
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