Tráfico na Providência seria entregue a facção rival

07 de julho de 2006 • 03h14 • atualizado às 04h06

Um plano para trair o chefe, Evanilson Marques da Silva, o Dão, e entregar os pontos de vendas de drogas do Morro da Providência, no centro do Rio de Janeiro, para a facção rival Amigos dos Amigos (ADA), teria sido o que condenou à morte Pablo Pierre Mendes do Amparo - executado na madrugada de sexta-feira e cujo corpo estava entre os 14 encontrados pelas ruas da cidade entre domingo e a última terça-feira. A favela é atualmente uma das mais bem armadas do grupo Comando Vermelho (CV).

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Investigações do Serviço de Inteligência da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que monitorava o bando, revelam que Pablo queria se aliar a Edmilson Ferreira da Silva, o Sassá, preso em Bangu 1, e se associar aos traficantes Coelho, do Morro de São Carlos, no Estácio, e Isaías de Oliveira Cabral, o Borrofe, do Morro dos Macacos, em Vila Isabel.

O "consórcio" transformaria a ADA, que já domina o tráfico na Rocinha - favela que mais vende drogas no Rio -, na facção mais poderosa do Rio. A Providência é o "quartel-general" do CV, onde se reúnem os bandidos para invadir favelas rivais.

A ordem para matar Pablo, como a reportagem noticiou com exclusividade na quarta-feira, partiu de Bangu 1, onde está preso Leonardo Marques da Silva, o Sapinho, irmão de Dão, que descobriu a traição e estava insatisfeito com as confusões de Pablo, que sempre atraía a polícia para a favela.

Após ser fuzilado, ele foi enforcado e jogado no Canal do Mangue, na Avenida Presidente Vargas, perto do Sambódromo, com outro bandido, ainda sem identificação. Os dois corpos apareceram terça-feira. Pablo só pôde ser identificado porque sua mão ficou fechada, preservando as digitais.

Dois outros traficantes ligados a Pablo também teriam sido mortos, mas os cadáveres ainda não foram achados e mais seis teriam fugido do morro - o grupo forma lista de 10 nomes feita por Sapinho e todos teriam participado da morte da estudante Priscila Belfort Vieira, em janeiro de 2004.

Além de Pablo e do outro morto, as demais execuções seriam resultado de disputa de poder no Morro de São Carlos. A polícia confirmou que Sérgio da Silva Fonseca, 26 anos, um dos mortos, era Gigante. Ele e William dos Santos, o Jogador, também morto, tramavam tomar o poder do chefão do São Carlos, que ordenou a chacina.

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