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 Saiba o que mudará com a implantação da TV digital
29 de junho de 2006 06h28 atualizado em 30 de junho de 2006 às 13h27

A TV digital permite a transmissão da imagem em alta definição, proporciona transmissão e recepção de maior quantidade de conteúdo por um mesmo canal e possibilita maior interatividade - usando o modo digital para enviar vídeo, áudio e dados.

A tecnologia surgiu quando cientistas japoneses se uniram para descobrir um tipo de transmissão capaz de dar ao telespectador as sensações mais próximas possíveis, tanto em imagem quanto em som, daquelas experimentadas por um espectador no cinema.

Atualmente, existem três tipos de transmissão de TV digital: ATSC (Advanced Television Systems Committee), adotado pelos EUA, Canadá, México e Coréia do Sul; ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial), adotado pelo Japão; e DVB-T (Digital Video Broadcast Terrestrial), adotado pelos demais países que já decidiram qual padrão seguir, em especial os países da Europa, Ásia, África e Oceania.

O padrão japonês - adotado pelo Brasil - é o único dos três que já está pronto para transmissões para dispositivos portáteis (como receptores em carros) e móveis (como celulares).

No Brasil, a partir da implantação da TV digital, as emissoras terão dez anos para se adaptar. Durante esse tempo, a programação poderá ser transmitida simultaneamente em sinal digital e analógico. Porém, após o prazo, o canal analógico deverá ser devolvido e a transmissão passará a ser exclusivamente digital.

Veja abaixo o que mudará com a TV digital

Resolução da imagem: Atualmente, um monitor analógico de boa qualidade apresenta entre 525 e 625 linhas de vídeo. Na televisão digital de alta definição, chega-se a 1080 linhas com o padrão HDTV (High Definition Television).

Novo formato da imagem: A tela dos monitores digital passará do formato 4:3, típico da TV analógica, para o formato 16:9, mais próximo do formato panorâmico de uma tela de cinema.

Qualidade do som: A televisão iniciou com som mono (um canal de áudio), evoluiu para o estéreo (dois canais, esquerdo e direito). Com a TV digital, passará para seis canais (padrão utilizado por sofisticados equipamentos de som e home-theaters).

Interatividade: O usuário poderá interagir com a programação dos canais da TV digital. O conteúdo será transmitido unilateralmente para o receptor de uma só vez. A partir daí, o usuário pode interagir livremente com os dados que ficam armazenados no seu receptor. Um novo fluxo de dados ocorre apenas quando é solicitada uma atualização ou uma nova área do serviço é acessada.

Novos canais: Com a TV digital, serão criados quatro novos canais públicos (Executivo, Cultura, Educação e Cidadania), que serão administrados por operadores de rede, a cargo de uma entidade também pública.

Comércio eletrônico: As emissoras poderão oferecer compras pelo controle remoto, acesso ao banco e até venda de programas pagos. O usuário da TV digital poderá também comprar produtos agregados à programação. O tradicional merchandising poderá complementado por um aplicativo que oferece o item exibido ou mencionado pelo personagem para aquisição imediata.

Mobilidade: Todos os serviços oferecidos pela TV digital poderão ser transportados para um dispositivo que pode ser acessado de qualquer lugar, a qualquer hora, caso o governo opte por um modelo que priorize a portabilidade. A TV digital poderá ser acessada por meio de terminais móveis como celulares ou dispositivos desenvolvidos especialmente para receber conteúdo multimídia.

Perguntas mais freqüentes:

O que é o SBTVD-T?
Há mais de 50 anos os sinais da televisão aberta, que permitem o acesso gratuito dos telespectadores às programações das redes, são transmitidos no padrão analógico. O avanço da tecnologia permitiu a digitalização do sinal, o que significa que mais informações, com melhor qualidade de imagem, podem ser enviadas aos usuários, incluindo dados. Assim, o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T) fará a transição do sinal analógico para o sinal digital, permitindo a recepção de imagens em alta definição, com som de alta qualidade, interatividade e serviços até agora não disponíveis.

Como foi o processo de definição do padrão SBDTV-T?
A criação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T) iniciou-se com a edição do decreto presidencial nº 4901, de 26 de novembro de 2003, quando, em vez de aceitar um padrão totalmente desenvolvido no exterior, o Governo Federal optou por mobilizar cientistas, pesquisadores e as empresas brasileiras em busca do sistema mais adequado às características da televisão aberta brasileira, que chega gratuitamente a mais de 90% dos lares brasileiros. Foram investidos recursos de R$ 60 milhões em 22 consórcios envolvendo 106 universidades, institutos de pesquisa e empresas privadas. As pesquisas resultaram em um sistema original, nipo-brasileiro.

Por que demorou tanto para o Governo brasileiro definir o novo padrão?
Por causa da grande complexidade dos temas envolvidos: aspectos legais, regulatórios, tecnológicos e de mercado, entre outros.

A opção do Brasil pelo modelo japonês não vai isolar o país, uma vez que o sistema só existe em um país do mundo?
Não. A diferença básica entre os padrões encontra-se no chamado sistema de modulação. Numa caixa de recepção e conversão de sinais digitais para analógicos (os set top box), a eletrônica do sistema de modulação representa um custo adicional inferior a 10% do preço total da caixa conversora. Se fosse verdade a tese do isolamento, as grandes empresas japonesas de eletrônica não conseguiriam vender seus equipamentos nos EUA e na Europa, como fazem normalmente. Além disso, o sistema de televisão digital permitirá que programas produzidos no Brasil "conversem" com todos os demais padrões, assim como os programas produzidos nos outros padrões poderão "rodar" no SBTVD-T.

O consumidor terá que comprar outra televisão para receber o sinal em alta definição?
Não. Basta a instalação de um decodificador - também chamado de caixa de conversão do sinal digital para o analógico -, para melhorar de imediato a imagem de um televisor comum. Além disso, respeitado o período de transição de 10 anos, enquanto as emissoras de TV forem progressivamente passando a gerar seus programas em sinal digital, os aparelhos em todo o Brasil continuarão a receber sinal analógico.

O sistema SBDTV-T poderá ser exportado para o exterior pelo Brasil?
Sim. O Brasil pretende, em conjunto com o Japão, associar esforços de desenvolvimento de outros países, a começar do Mercosul e da América do Sul. E algumas das inovações brasileiras incorporadas ao SBDTV-T - como a possibilidade de intercâmbio de conteúdos com os demais sistemas digitais do mundo - são soluções de uso universal que já estão despertando o interesse de grupos internacionais.

Redação Terra