Escola de samba participa de manifestação contra exploração sexual

18 de maio de 2006 • 22h56 • atualizado às 22h56

A escola de samba paulista Águia de Ouro participou nesta quinta-feira das comemorações do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em frente ao Congresso Nacional. No carnaval deste ano, a escola tratou da questão da pedofilia, com o enredo "Não tem desculpa".

Para a secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Neide Castanha, essa atitude demonstra uma mudança de padrão cultural, que sempre associa carnaval à sexualidade.

"O carnaval na nossa cultura, sobretudo, quando saiu da manifestação espontânea para ser uma produção industrial, é tido e explorado por muitos meios como momento da sexualização, erotização e exposição da mulher na sua condição de objeto de atração. E uma escola de samba tem a coragem de levar à avenida, para cerca de 70 mil pessoas um samba enredo que canta contra a exploração", afirmou.

O comitê entregou um documento com 5 mil assinaturas pedindo urgência na votação dos projetos de lei que tramitam na Câmara, sobre modificações no Código Penal, no Código de Processo Penal e no Estatuto da Criança e Adolescente.

Três deputadas da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente: Maria do Rosário (PT-RS), Sandra Rosado (PSB-RN) e Ann Pontes (PMDB-PA). Elas receberam o abaixo-assinado e se comprometeram a entregá-lo na próxima semana ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

A coordenadora da Frente, a senadora Patrícia Sabóia (PSB-CE), lamentou a demora na votação dos projetos: "É muito triste que tantas crianças ainda fiquem sem a resposta do Congresso Nacional. Todos os dias, os jornais, a televisão, o rádio, trazem denúncias de crianças que são vítimas da exploração sexual".

Agência Brasil
 
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