Onda de violência deixa mais de 60 ônibus incendiados em SP

15 de maio de 2006 • 12h29 • atualizado às 12h29

Depois de um fim de semana violento, em que mais de 70 pessoas morreram em ataques do crime organizado contra a polícia em São Paulo, atentados contra ônibus se intensificaram nesta segunda-feira, deixando a população sem transportes e amedrontada.

Segundo informações da polícia, 72 pessoas morreram desde a noite de sexta-feira, quando foi deflagrada a maior onda de violência contra alvos policiais da história de São Paulo. Além disso, há 45 rebeliões em andamento no Estado.

Ônibus começaram a ser alvo de ataques na tarde de domingo e, até o momento, segundo a SPTrans, 65 foram incendiados no Estado.

Na manhã desta segunda-feira, sete empresas de ônibus recolheram todos seus carros e outras duas operavam apenas parcialmente. Ao todo, 2.683 ônibus não estavam circulando nesta manhã. Os pontos de ônibus amanheceram lotados, e o trânsito estava bastante complicado na capital paulista.

Houve ainda ataques a pelo menos 13 agências bancárias na Grande São Paulo, segundo levantamento parcial do Sindicato dos Bancário de São Paulo, e a dois postos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfico), segundo informações preliminares da polícia. Não houve registro de feridos.

A Secretaria de Educação do Estado informou que não houve toque de recolher nas escolas, mas registrou cerca de 30 por cento de ausência dos alunos devido à falta de transporte.

Na série de ações violentas iniciadas na noite de sexta-feira, que atingiu delegacias, viaturas policiais, bases comunitárias e mesmo policiais à paisana, mais de 115 ataques foram contabilizados, segundo o último balanço, divulgado na noite de domingo, pela Secretaria de Segurança Pública.

As ações, segundo o comando da segurança pública de São Paulo, são uma reação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) à transferência de líderes da organização para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km da capital), complexo de segurança máxima idealizado para abrigar os membros do PCC.

Entre os 765 detentos transferidos estava Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo.

Em nota divulgada nesta segunda, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunida na 44a. Assembléia Geral, manifestou repúdio aos atos de violência e solidariedade às famílias dos mortos.

"Apoiamos a ação firme e sem violência, por parte das autoridades, no sentido de se proceder à imediata investigação dos fatos e punição dos culpados", disse o cardeal Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB. "Somos conscientes, no entanto, do quanto o sistema judicial, penal e penitenciário carece de providências e reformas profundas em âmbito nacional." A Arquidiocese de São Paulo marcou para as 13h, na Catedral da Sé, um ato ecumênico contra a violência e de solidariedade aos familiares das vítimas dos ataques. Dom Claudio Hummes, cardeal arcebispo de São Paulo, e o rabino Henry Sobel confirmaram presença.

Na noite de domingo, o governo federal ofereceu aos Estados homens da Força de Segurança Nacional e do Exército como apoio, segundo a assessoria da Ministério da Justiça. Também foram registradas rebeliões em presídios de Mato Grosso do Sul e Paraná no fim de semana.

(Por Eduardo Lima e Fernanda Ezabella)

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