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 Governador de SP quer gravar conversas de presos
15 de maio de 2006 05h20 atualizado às 16h21

O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, anunciou ontem que quer acabar com o sigilo entre advogados e prisioneiros em suas conversas dentro dos presídios. Na opinião de Lembo, os advogados podem ser mensageiros dos criminosos. No sábado, o governador chegou a acusar os advogados de serem responsáveis pela entrada ilegal de telefones celulares nos presídios.

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"É um grande erro, uma lenda, mantida até por parte das autoridades, achar que o celular é o grande problema. Não é o celular coisa nenhuma. São determinados elementos que entram nos nossos presídios, baseados na legislação, e coletam informações, inclusive do mundo exterior", disse o governador.

Lembro afirmou também que quer gravar as conversas dos presos ligados à facção criminosa PCC durante as visitas de parentes. "Vamos pedir ao Poder Judiciário que nos permita a escuta dos diálogos dos prisioneiros com seus defensores. E que toda visita seja objeto de gravação", disse.

A medida recebeu críticas do presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Luiz Flávio Borges D'Urso. Ele afirma que a gravação das conversas entre presos e advogados é inadmissível. No entanto, o governador insiste na medida e afirmou que vai buscar amparo legal no Judiciário para poder adotá-la.

"Isso não pode. É ilegal. É inadmissível. Não se pode romper os mecanismos do estado democrático de direto por causa de problemas emergenciais. Querer atribuir ao advogado essa responsabilidade no crime organizado me parece uma heresia", disse D'Urso.

Redação Terra