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Incêndio em boate no Rio Grande do Sul deixa 232 mortos e 130 feridos

27 jan 2013
16h19
atualizado às 16h20

O incêndio em uma boate da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, deixou 232 mortos, a maioria por asfixia, e mais de 130 feridos, na segunda maior tragédia deste tipo na história do Brasil.

Este balanço revisa o anterior de 245 mortos e 48 feridos.

"O número de óbitos é de 232, destes 120 são homens e 112 são mulheres, maioria asfixiados", disse à AFP o subcomandante do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, Rois Tavares.

"Todos os corpos foram retirados do interior da boate que agora está sendo isolada para investigação", acrescentou o subcomandante.

O incêndio começou na madrugada, quando centenas de pessoas se encontravm na boate Kiss, em sua imensa maioria jovens desta cidade universitária. A fumaça se espalhou rapidamente, segundo testemunhas, e a falta de saídas impediu a evacuação de muitas das pessoas a tempo.

Como a única saída havia sido trancada pelos seguranças, as pessoas entraram em pânico e houve tumulto.

Os corpos foram levados em caminhões ao Centro Esportivo Municipal, onde as famílias se reuniram para reconhecer as vítimas.

"É o momento mais difícil", disse à AFP o secretário adjunto de Saúde do município, Julio Nunes, que explicou que Santa Maria é uma cidade universitária "que reúne muitos jovens, e um dos pontos de encontro era esta boate".

Um dos sobrevivente, o dentista Mattheus Bortolotto, relatou o pânico que viveu: "Foi horrível. Perdi um amigo muito próximo. As saídas de emergência eram insuficientes. Perdi de vista meu amigo na confusão", contou ao canal Band News.

"Uma moça morreu nos meus braços. Senti seu coração parar de bater. Só havia visto isso no cinema", contou ainda.

"As barreiras metálicas utilizadas para organizar as filas de espera para entrar na boate bloquearam a evacuação. As pessoas tropeçavam, caíam. Ajudei a levantar as barreiras. Os bombeiros também se intoxicaram com a fumaça. Os que estavam no fundo da boate ficaram presos", acrescentou.

Este é o segundo incêndio com muitos mortos na história brasileiras, depois que o fogo em um circo deixou 533 mortos em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1961, recordaram as autoridades.

Jovens sobreviventes, com o rosto enegrecido pela fumaça, e familiares das vítimas aguardavam com angústia a identificação das vítimas na porta do Instituto Médico Legal de Santa Maria, uma cidade universitária com 262.000 habitantes.

A polícia pediu aos familiares que levem fotos dos jovens para facilitar na tarefa de identificação, e pediram à população que doe sangue.

Segundo o comandante dos bombeiros locais, o incêndio foi desatado por causa de um sinalizador utilizado por um membro da banda de rock que se apresentava no estabelecimento. "Isso acabou gerando a tragédia", afirmou Guido de Melo.

Já o comandante do corpo de bombeiros do Rio Grande do Sul, Moisés da Silva Fuchs, o alvará de funcionamento da boate Kiss, concedido por sua corporação, está vencido desde agosto de 2011.

"A banda estava no palco e começou a usar fogos e, de repente, pararam o show e apontaram o sinalisador para o teto. Aí começou o fogo, era leve, mas em questão de segundos ganhou força", relatou Michele Pereira, que sobreviveu à tragédia.

Usando marretas, pessoas abriram buracos nas paredes do local para facilitar os trabalhos de resgate e a saída da forte fumaça que tomou conta do local.

As autoridades indicaram que encontraram cadáveres nos banheiros do local, onde, presume-se, as vítimas tentaram buscar refúgio.

Santa Maria, com 262 mil habitantes, está situada a 300 km de Porto Alegre, e boa parte de sua população é formada por estudantes universitários. A festa na boate havia sido organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

"Receiamos que a maioria das vítimas seja de estudantes nossos" afirmou o vice-reitor da UFSM, Dalvan Reinert.

A Universidade cancelou as aulas até a próxima quarta-feira.

A prefeitura também decretou 30 dias de luto e formou uma equipe de ajuda psicológica para os familiares das vítimas.

A presidente Dilma Rousseff encurtou sua viagem ao Chile, onde participou da cúpula entre países latino-americanos e europeus, e viajou diretamente a Santa Maria.

"Neste momento de tristeza, estamos juntos", disse Dilma, visivelmente emocionada.

"Hoje não há uma família, um pai ou uma mão que não esteja sofrendo", declarou, por sua vez a ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que já se encontra no cenário da tragédia.

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, também visitará a região, depois de ter conversado com a presidente e de ter recebido todo o apoio necessário.

Países da região, como Chile e o México, enviaram suas condolências, e a Argentina anunciou que enviará um estoque de pele ao Brasil para ajudar nas vítimas de queimaduras.

A tragédia de Santa Maria recorda o incêndio ocorrido na discoteca República Cromañón, de Buenos Aires, em 30 de dezembro de 2004, que deixou 194 mortos e 1.432 feridos.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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