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Guerra Urbana
Quinta, 9 de novembro de 2006, 19h10 
Para Pastoral, PCC troca estratégia violenta por ato pacífico
 
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A Pastoral Carcerária acredita que a greve de fome iniciada há quatro dias por líderes do PCC é uma mudança na estratégia da facção criminosa de chamar a atenção para os problemas da população carcerária de São Paulo, deixando de lado ações violentas para atos pacíficos.

Depois de coordenar quatro ondas de violência no Estado, desde maio ¿que deixaram cerca de 200 pessoas mortas, entre agentes de segurança e suspeitos¿, os criminosos teriam percebido, na avaliação da Pastoral, "que as ações violentas deixaram a população contra eles". "Eles nos enviaram cartas e uma apostila de 21 páginas em que fazem uma revisão de suas ações e anunciam sua tática futura, que não será mais pela violência, mas pela informação", afirmou o padre Valdir Silveira, coordenador da Pastoral em São Paulo.

A Pastoral recebeu 16 cartas de presidiários de todo o Estado com queixas das condições dentro das cadeias. Segundo o padre Silveira, o Primeiro Comando da Capital não informou como é a nova estratégia, mas deu a entender que todas as ações serão pacíficas. "Em conversas, alguns (presos) disseram que 'nunca mais faremos o que fizemos'", disse o padre, explicando que as reações da opinião pública, das autoridades e das outras facções criminosas às ondas de violência provocaram a mudança de tática.

"Esperávamos algo do tipo", acrescentou o padre, referindo-se à greve de fome no presídio de Presidente Bernardes. Mas para ele, ações como essa "revertem contra eles mesmos".

O padre Silveira vê problemas de superlotação nos presídios de São Paulo, mas acredita que os presos precisam atuar dentro da lei.

"Orientamos que eles recorram à Ouvidoria, à Corregedoria e às outras autoridades responsáveis quando precisarem. Eles têm que trabalhar de acordo com a lei", afirmou o padre. Segundo a Secretária de Administração Penitenciária de São Paulo (SAP), 43 dos 61 detentos de Presidente Bernardes recusam as refeições desde segunda-feira. Mas a assessoria de imprensa disse acreditar que os presos estejam se alimentando com comida levada pelas famílias.

"Um médico visitou (o presídio) a pedido do juiz-corregedor e constatou que estava todo mundo bem", disse um assessor da SAP à Reuters.

A SAP informou que nenhuma reivindicação foi apresentada pelos presos até o momento, mas que a greve de fome começou após a conclusão de obras no presídio, que aumentaram sua segurança.
 

Reuters

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