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A prisão do torneiro mecânico Beroaldo Pádua de Araújo, 57 anos, no fim da noite desta terça-feira, pela Polícia Federal, poderá revelar a existência de uma conexão entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo e o Comando Vermelho (CV) do Rio de Janeiro.
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O Superintendente Regional da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, delegado Delci Carlos Teixeira, revelou que as investigações para a descoberta do armeiro do Comando Vermelho começaram há seis meses, quando foram apreendidas duas submetralhadoras destinadas a traficantes cariocas, que tinham vindo de Ribeiro Preto, em São Paulo.
"A partir daí, começamos a investigar uma possível ligação do Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo, com o Comando Vermelho (CV) aqui no Rio de Janeiro. Tínhamos informações de que estas armas teriam sido enviadas pelo PCC para o CV", disse.
Fabricação de armas
O torneiro era o responsável pela fabricação e manutenção clandestina de armas para traficantes, o que era feito em sua serralheria, em Curicica, Jacarepaguá. Alí foram encontradas cinco submetralhadoras, um fuzil ponto 30, munição, dinheiro e peças e equipamentos - vários moldes - utilizados na fabricação e manutenção de armas, latas de spray de várias cores, R$ 2,8 mil, um caderno com anotações e farta munição.
Outros presos
Também foram presos o taxista Paulo Jorge Vieira dos Santos, 51 anos, que era o responsável pela distribuição das armas nos morros e favelas, e Luiz Eduardo da Silva Pereira, 34 anos, que era quem comercializava o armamento com traficantes do Comando Vermelho.
No taxi, escondido em um fundo falso entre o banco traseiro e o porta malas, a polícia encontrou duas submetralhadoras fabricadas pelo torneiro mecânico e que estavam sendo levadas para traficantes de um morro, que pagariam R$ 6 mil por elas.
Beraldo era o responsável pela venda de armas e manutenção do armamento para os morros de Antares (Santa Cruz). Grota (Complexo do Alemão, em Ramos), Complexo da Maré (Bonsucesso) e Cidade de Deus (Jacarepaguá) todos da facção Comando Vermelho.
O delegado afirmou ainda que "com a pressão que os agentes federais vêm fazendo ao longo da fronteira do Brasil com os outros países - especialmente Paraguai e Colômbia - combatendo o tráfico de armas e drogas, os traficantes vêm buscando novas alternativas para continuarem se armando e fazendo a manutenção de seu armamento e, entre estas alternativas, está a contração de armeiros, gente especializada em armas¿, afirmou.
Para o Superintendente da Polícia Federal, o que chamou a atenção na prisão do armeiro foi o alto grau de especialização e sofisticação dele. O armeiro tinha moldes para produzir o armamento e fazia desde a montagem até a confecção das armas.
Segundo a PF, a partir das apreensões das duas submetralhadoras, em janeiro, os Serviços de Inteligência das Superintendências do Rio, São Paulo e Mato Grosso, começaram a investigar naqueles Estados, as ligações do PCC, especialmente no interior de São Paulo.
O encontro de latas de spray em várias cores, inclusive dourada, levou o superintendente a mandar investigar se, uma submetralhadora dourada apreendida pelo 22º BPM (Maré) no Complexo da Maré logo após o assassinato do desembargador Mello Porto, teria sido fabricada por Beroaldo.
Os três presos foram levados para a Superintêndencia da Polícia Federal, na avenida Rodrigues Alves, onde foram autuados em flagrante por porte, uso de armas e associação ao tráfico.
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