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Guerra Urbana
Segunda, 14 de agosto de 2006, 01h13  Atualizada às 12h32
Repórter da Globo seqüestrado pelo PCC é libertado
 
Ernesto Rodrigues/Agência Estado
Guilherme Portanova, seqüestrado pelo PCC, foi libertado no domingo
Guilherme Portanova, seqüestrado pelo PCC, foi libertado no domingo
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O repórter da TV Globo Guilherme Portanova, seqüestrado na manhã do sábado passado na capital paulista por supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi libertado por volta da 0h30 desta segunda-feira no bairro paulistano do Morumbi, na zona sul da cidade. Ele permaneceu em cativeiro por cerca de 40 horas e, durante esse período, o PCC ameaçava matá-lo caso a Globo não exibisse vídeo da facção criminosa com críticas ao sistema prisional paulista. A emissora atendeu a exigência na madrugada de domingo e veiculou o material no Estado de São Paulo. Trechos do vídeo também foram exibidos pelo Fantástico, na noite de domingo.

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Guilherme, que foi rendido com o auxiliar técnico Alexandre Calado (também já solto) na porta de uma padaria próximo à Globo, rumou diretamente para a sede da emisora após ser libertado. Lá, ele afirmou que está bem e não foi ferido pelos seqüestradores:

"Estou legal, ninguém me agrediu. Fui alimentado e, calculo, saí do cativeiro logo depois do Fantástico. Eles disseram que queriam ver o vídeo no ar e, aparentemente, ficaram satisfeitos", declarou o jornalista à rádio CBN. As autoridades ainda não têm pistas sobre a identidade ou o paradeiro dos seqüestradores.

O auxiliar técnico Alexandre Calado, libertado no sábado à noite, foi incumbido pelo PCC de entregar à Globo a cópia do vídeo. O material, com 3 minutos e 26 segundos de duração, trazia um homem encapuzado criticando o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que prevê o isolamento dos detentos. A polícia de São Paulo informou que, na última semana, o SBT enviou uma cópia do mesmo vídeo ao Ministério Público Estadual, depois de o ter recebido pelos correios e se negado a divulgá-lo, como pedia uma carta anônima.

Calado disse, em entrevista ao Fantástico veiculada nesde domingo à noite, que ele e o repórter ficaram a maior parte do tempo sentados no banco traseiro de um dos carros utilizados no seqüestro. O carro ficou parado no interior de uma garagem, em local desconhecido para o auxiliar. Ele ficou o tempo todo de olhos vendados ou sentado virado para uma parede.

O funcionário, que durante a madrugada deste domingo prestou depoimento ao Departamento Anti-Seqüestro (DAS), acredita que os bandidos não tinham alvo direcionado.

"Eles levariam qualquer um da Globo. Infelizmente levaram nós dois", disse o auxiliar.

Delegado critica exibição de vídeo
O delegado de polícia José Vicente da Silva criticou a Globo por "ter cedido à pressão dos bandidos", e assegurou que "quando há seqüestro existe risco, mas há espaço para a negociação".

O policial qualificou o seqüestro como um novo passo "no conjunto de ações terroristas" desta facção criminosa.

O diretor de jornalismo da TV Globo São Paulo, Luiz Cláudio Latge, disse que a decisão de atender à reivindicação dos criminosos foi da emissora, sem participação do governo estadual ou da polícia.

Em nota entregue à imprensa, a Globo afirmou que foi orientada por órgãos internacionais a divulgar a mensagem.

"Não havia alternativa", diz a nota, ao resumir o resultado das consultas e afirmar que o breve prazo dado pelos seqüestradores tornava impossível uma consulta às autoridades locais e colocava a vida de Portanova em perigo.

PCC completa três ondas de ataques
O PCC, que controla o crime organizado desde as prisões de São Paulo, desafiou as autoridades por três vezes nos últimos meses, com sangrentos ataques contra forças de segurança, bancos, comércios e ônibus de serviço público.

O primeiro deles, ocorrido em meados de maio, deixou 133 mortos, em sua maioria policiais, agentes carcerários e delinqüentes. Este primeiro ataque foi uma represália da facção contra a mudança de seus líderes para prisões de segurança máxima.

Em julho, a organização criminosa voltou a atacar em vários municípios de São Paulo, com um saldo de oito mortes, e na semana passada seis supostos delinqüentes foram mortos pela Polícia na reação a uma nova ofensiva.

Neste domingo, foram incendiados quatro ônibus em São Paulo, mas a polícia não estabeleceu se os autores pertencem à facção criminosa que, segundo as autoridades, tinha um plano para lançar novos ataques durante este fim de semana.

Há algumas semanas, a polícia descobriu um plano do grupo para seqüestrar políticos em São Paulo, e o seqüestro ocorrido no sábado deixa em evidência que a imprensa agora é um dos alvos dos criminosos, segundo especialistas em política e luta criminal.

"Isto assusta. É uma tentativa de intimidar a imprensa e de impedir a divulgação de atos criminosos em um ano eleitoral, no qual muitos interesses estão em jogo", disse a analista Lúcia Hipólito, em entrevista à rádio CBN.
 

Redação Terra