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Guerra Urbana
Sexta, 7 de julho de 2006, 20h02  Atualizada às 21h11
Greve atinge 47 prisões; famílias de presos protestam
 
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A greve nas penitenciárias do Estado de São Paulo mais que dobrou entre quinta e sexta-feira, atingindo de 21 para 47 unidades. Familiares dos detentos do presídio de Araraquara, no interior do Estado, fizeram uma manifestação nesta tarde em frente à unidade. Cerca de 1,3 mil presos foram confinados em uma área de 600 metros quadrados, a portas soldadas, após uma rebelião em que a unidade foi destruída.

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A Defensoria Pública do Estado de São Paulo fez nesta sexta-feira um pedido ao juiz de Direito Corregedor da Vara das Execuções e dos Presídios de Araraquara para a transferência de todos os presos do presídio da cidade para outras unidades penais por não haver "condições mínimas de permanência para os presos no local".

A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado informou que a unidade foi "bastante danificada" com as rebeliões de maio e junho e que as reformas "estão na eminência de começar, uma vez que a situação exige total urgência".

De acordo com o secretário Antônio Ferreira Pinto, os presos vão ter que esperar um mês até terminar a reforma. "Até terça-feira nós teremos condições de dividir aquela população nos dois pátios e posteriormente num terceiro pátio até sexta-feira. O presídio de Araraquara está totalmente destruído, o déficit de vagas é muito grande e não há como transferi-los para outro presídio", disse ao Jornal Nacional.

Nesta tarde a tropa de choque arrebentou um dos portões que estavam lacrados para dar acesso ao pátio e permitir que os feridos e doentes fossem atendidos. Mais de cem presos foram levados para o pavilhão ao lado onde estão sendo medicados. Até então, a comida e medicamentos eram passadas por cima das muralhas. Os presos precisam fazer fila para usar o banheiro e o único tanque que existe no pátio.

A situação nos presídios piorou nesta semana, quando os agentes penitenciários declaram greve de 24 horas a cada colega assassinado. Nesta sexta-feira, novas greves foram registradas na capital e na Grande São Paulo. Nas unidades em greve, todas as atividades foram paralisadas, com exceção de alimentação, atendimentos de urgência e alvarás de soltura.

Armas
Em meio ao agravamento da situação, o governador Cláudio Lembo (PFL) e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, se reuniram e prometeram uma maior integração da força estadual com a polícia federal e apoio para o porte de armas de fogo aos agentes penitenciários fora de serviço.

Lembo afirmou que na segunda-feira será publicada uma portaria no Diário Oficial da União autorizando o porte de armas pelos agentes penitenciários mesmo fora do horário de seus expedientes.

O governador também fez um apelo à Justiça para que sejam emitidos os alvarás de soltura dos presos que já cumpriram suas penas. "A partir desta portaria vamos fazer isso, o treinamento (dos agentes para porte de armas), e a Nossa Caixa vai liberar uma linha de crédito para aquisição de armas", disse Lembo.

Segundo o governador, o ministro Thomaz Bastos irá liberar a partir da semana que vem uma série de equipamentos de tecnologia que havia sido prometida em maio, ápice da crise de violência no Estado.

Na época, atentados de criminosos supostamente ligados ao grupo Primeiro Comando da Capital (PCC) deixaram cerca de 200 pessoas mortas, entre policiais, criminosos e civis. "A gente não pode falar tudo o que faz, até por uma questão de segurança, mas estamos trabalhando muito, muito, silenciosamente e com muita firmeza", disse o governador.

O quinto carcereiro em uma semana foi assassinado nesta madrugada de sexta-feira, fora do trabalho, no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo. Em maio, oito agente foram assassinados.
 

Redação Terra
 
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