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O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), disse ontem que a situação no Anexo de Detenção Provisória de Araraquara, em Araraquara (SP), é dramática, mas que os próprios detentos são os responsáveis. Segundo ele, os presos serão transferidos de local. Os detentos receberam ontem à tarde o senador Eduardo Suplicy (PT) que foi à cadeia checar as condições da prisão. Desde o dia 16 de junho, quando um motim destruiu a penitenciária, 1.443 detentos foram confinados em uma área de 600 metros quadrados.
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"Esse drama humano não foi causado por nós, mas pelos próprios presos. Temos que preservar a segurança da sociedade mantendo os presos detidos num presídio totalmente destruído por eles mesmos", afirmou o governador.
Reforma
Todos se calaram para deixar um preso narrar ao senador como tem sido a vida deles nos últimos dias. Suplicy perguntou quem aceitaria trabalhar na reforma do prédio. Todos levantaram as mãos, candidatando-se. Suplicy conversou com os presos do alto da torre de controle, sem contato físico com os detentos, porque a porta da detenção está lacrada a solda.
De acordo com o parlamentar, os detentos têm de dormir encostados uns nos outros, porque não há espaço para todos. O setor tem 16 celas, cada uma com oito camas. No chão de cada cela, podem dormir mais dez presos. A capacidade máxima total das celas, portanto, é de 288 homens. Com isso, 1.155 pessoas são obrigadas a dormir ao relento, no pátio. As portas das celas foram arrancadas e queimadas na rebelião e hoje são vistas encostadas no pátio. O telhado não existe mais. O lixo está espalhado pela unidade.
Plano
O diretor da penitenciária, Roberto Medina, prometeu ao senador que, no início da próxima semana, metade dos presos será removida para pavilhão de igual tamanho do atual. O plano do governo é retirar hoje 107 detentos doentes da única das quatro alas do CDP que está ocupada. O grupo será levado para um pátio ao lado, onde permanecerá ao relento. É o mesmo pátio onde funcionários da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) acharam um túnel há quatro dias, o que provocou o esvaziamento do lugar. A SAP espera o concreto secar para reabrir essa ala aos demais presos. Na próxima sexta-feira, os presos passarão a ocupar uma terceira ala, hoje fechada para o restabelecimento da água e da luz.
Condenado por homicídio, roubo e seqüestro, o ex-cirurgião plástico Hosmany Ramos afirmou que está medicando os colegas. Por celular, ele reclamou da falta de medicamentos, mas disse que coquetéis contra aids aos poucos estão sendo entregues. O secretário disse que o atendimento continua.
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