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Greve em Minas Gerais e no Pará não afeta serviços, diz Correios

11 set 2012
17h02
atualizado às 22h07

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) divulgou nota na tarde desta terça-feira na qual informa que os seus serviços estão funcionando "com normalidade" em todo o País, inclusive no Pará e em Minas Gerais, os únicos Estados onde os trabalhadores deflagraram greve.

"Nos dois Estados, PA e MG, 98% do efetivo está presente e trabalhando", diz a nota dos Correios. "Tanto o atendimento ao cliente nas agências, como a entrega de cartas e encomendas, está normal em todos os Estados brasileiros."

De acordo com a assessoria de imprensa da ECT, de um total de 2,2 mil trabalhadores da empresa no Pará, cerca de 50 estão em greve. Em Minas Gerais, dos 11,3 mil funcionários, aproximadamente 250 teriam cruzado os braços. Na maioria dos demais Estados, a categoria preferiu adiar a greve e marcar novas assembleias para a próxima terça-feira.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) não apresentou estimativas de adesão à greve em Minas Gerais e no Pará, mas pôs em dúvida a veracidade dos números fornecidos pelos Correios. "Apenas na assembleia de Belo Horizonte ontem havia mais de 400 pessoas. Como dizer que apenas 250 estão em greve hoje? É mentira", disse Edson Dorta, secretário-geral da federação.

Tanto no Pará quanto em Minas Gerais, os trabalhadores estão em assembleia permanente e podem reavaliar a paralisação a qualquer momento. "A tendência é de que os trabalhadores de outros Estados pressionem os seus sindicatos a entrar em greve também", diz Dorta.

Além de descontar os dias parados dos trabalhadores que aderirem à greve, a empresa diz ter um plano de contingência capaz de garantir a prestação de serviços à população em caso de paralisação. Fazem parte do plano medidas como a contratação de trabalhadores temporários, a realocação de empregados das áreas administrativas e a realização de horas extras e de mutirões nos finais de semana.

A direção da ECT oferece 5,2% de reajuste salarial. O mesmo percentual seria aplicado a benefícios como vale-alimentação e auxílio-creche. Pela proposta, o salário-base inicial de carteiros, atendentes comerciais e operadores de triagem e transbordo passaria de R$ 942 para R$ 991.

O comando de negociação da Fentect reivindica 43,7% de reajuste, R$ 200 de aumento linear e piso salarial de R$ 2,5 mil. Quatro sindicatos dissidentes (São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Bauru), que se desfiliaram da federação, reivindicam 5,2% de reposição, 5% de aumento real e reajuste linear de R$ 100.

Em 2011, os trabalhadores dos Correios permaneceram em greve durante quase um mês. Maior empresa empregadora no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os Correios têm cerca de 115 mil funcionários.

O movimento grevista
Iniciados em julho, os protestos e as paralisações de servidores de órgãos públicos federais cresceram no mês de agosto. Pelo menos 25 categorias entraram em greve, tendo o aumento salarial como uma das principais reinvindicações. O Ministério do Planejamento estima que a paralisação tenha envolvido cerca de 80 mil servidores. Em contrapartida, os sindicatos calculam que 350 mil funcionários aderiram ao movimento.

A greve afetou servidores da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Arquivo Nacional, da Receita Federal, dos ministérios da Saúde, do Planejamento, das Relações Exteriores, do Meio Ambiente e da Justiça, entre outros. O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) informou que dez agências reguladoras aderiram ao movimento.

Após apresentar proposta de aumento de 15,8%, dividido em três anos, o governo encerrou no dia 26 de agosto as negociações com os servidores. Policiais federais e funcionários do Incra foram as únicas classes que continuaram em greve após o fim das negociações. O orçamento anual do governo, com a previsão de gastos com a folha de pagamentos dos servidores em 2013, foi enviado ao Congresso em 30 de agosto.

Agência Brasil Agência Brasil
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