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'Fui um dos torturados pelo coronel Ustra', diz vereador de São Paulo

10 mai 2013
16h26
atualizado às 16h29
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A tomada pública de depoimentos promovida nesta sexta-feira pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi marcada por momentos tensos envolvendo o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra e o presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, vereador Gilberto Natalini (PV-SP). Questionado sobre se teria torturado Natalini, em 1972, Ustra respondeu que não tinha nada a dizer e negou o fato. A negativa foi rebatida por Natalini que interrompeu a fala de Ustra aos gritos: "sou um brasileiro de bem. O senhor é que é terrorista. Eu fui torturado pelo coronel Ustra".

<p>O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi-SP entre 1970 e 1974, presta depoimento à Comissão Nacional da Verdade</p>
O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi-SP entre 1970 e 1974, presta depoimento à Comissão Nacional da Verdade
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

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Apoiadores do coronel, que foi ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do 2º Exército em São Paulo (DOI-Codi-SP), entre 1970 e 1974, protestaram. O tumulto interrompeu a sessão durante a qual Ustra negou que tenha havido tortura, sequestro, ocultação de cadáver e mortes durante sua passagem pelo órgão de repressão da ditadura.

Antes do coronel Ustra, Natalini prestou depoimento a CNV e disse que "Ustra sempre foi muito presente nas sessões de tortura". Estudante de Medicina e integrante do centro acadêmico à época, Natalini narrou um episódio no qual o foi colocado por Ustra nu em cima de uma poça d'água com fios de choque atados ao corpo. "Ele chamou a tropa para que eu fizesse uma sessão de 'poesia'. Durante horas ele ficou me batendo com uma vara. Outros vinham e me davam telefone (tapa com as mãos nos ouvidos) e muito eletrochoque", disse Natalini que também compunha poesia de protesto contra a ditadura

Em outra ocasião, Ustra já havia negado publicamente a sessão de tortura, tendo escrito, em setembro de 2012, uma carta aberta em que questiona as afirmações de Natalini.

Agência Brasil Agência Brasil
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