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Em carta, embaixador dos EUA comemora espionagem no Brasil

Shannon teria "festejado" acordo econômico em que EUA levaram vantagem sobre o Brasil, graças à espionagem, diz jornalista

6 ago 2013
15h28
atualizado às 19h13
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Glenn Greenwald falou à Comissão de Relações Exteriores do Senado
Glenn Greenwald falou à Comissão de Relações Exteriores do Senado
Foto: Lia de Paula / Agência Senado

O jornalista Gleen Greenwald, que revelou as primeiras informações da rede de espionagem mundial dos Estados Unidos a partir dos vazamentos do ex-técnico da CIA Edward Snowden, afirmou nesta terça-feira que o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, parabenizou a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) pela espionagem feita no Brasil. Segundo o jornalista, uma carta de Shannon "festeja" um acordo econômico em que os EUA levaram vantagem sobre o Brasil, graças à espionagem feita pelo governo americano que revelou as estratégias brasileiras. 

"Tem uma carta muito interessante assinada por Thomas Shannon onde ele festeja com a NSA a espionagem que os Estados Unidos fizeram no País antes de uma conferência internacional onde foi fechado um acordo econômico. A espionagem deu ao governo amerciano muita vantagem para saber as estratégias do Brasil", revelou o jornalista nesta terça em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado.

A justificativa do governo americano é que a espionagem tem o objetivo de prevenir e identificar ações terroristas, mas o jornalista refuta a hipótese. "Desde o 11 de Setembro a desculpa é que os americanos fazem tudo pela segurança nacional, mas realidade é o oposto. Há muitos documentos que não falam em terrorismo ou proteção nacional, mas falam sobre competição entre empresas, sobre acordos econômicos, sobre levar vantagem em contratos multilaterais", disse. 

Greenwald também desmentiu a justificativa dada por Thomas Shannon ao governo brasileiro de que os EUA estariam apenas monitorando "metadados" - como tempo de ligações telefônicas e destino de e-mails. "O governo americano tem capacidade de invadir e-mails, não só metadados. Assuntos que estão sendo discutidos no e-mail, no telefone. Esse programa é mais poderoso, mais assustador sistema que já tivemos", afirmou. 

Segundo o jornalista americano, a NSA tem acordo com as nove maiores empresas de comunicação do mundo - incluindo Apple, Microsoft e Google - para ter acesso aos sistemas dessas companhias. "O objetivo dos Estados Unidos é eliminar a privacidade do mundo. Esse objetivo não é só teórico, já está acontecendo. O sistema que está sendo construído tem muito poder para coletar quase todas as informações trocadas no mundo. O balanço do poder fica muito desequilibrado quando uma nação sabe tudo o que acontece em outra nação", afirmou o jornalista, em breve exposição no início de audiência pública no Senado. 

Greenwald foi procurado pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden para divulgar documentos que comprovam que vários países, incluindo o Brasil, estão sendo monitorados pelos Estados Unidos. Snowden é procurado pelas autoridades americanas pelo vazamento de segredos sobre os sistemas de monitoramento de telecomunicações do governo e foi provisoriamente asilado na Rússia, após passar 40 dias "morando" no aeroporto de Moscou.

20 mil documentos
Greenwald afirmou ainda ao Senado que recebeu cerca de 20 mil documentos do ex-técnico da inteligência americano Edward Snowden relacionados com espionagem. Greenwald, que não informou sobre o conteúdo dos documentos, fez essa revelação ante a Comissão de Relações Exteriores do Senado, que o convocou para abordar as denúncias de espionagem por parte da NSA.

Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.

Ainda segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília, pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.

Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.

O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço secreto americano.

Por conta do caso, o governo brasileiro determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) verifique se empresas de telecomunicações sediadas no País violaram o sigilo de dados e de comunicação telefônica. A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as informações sobre o caso.

Após as revelações, a ministra responsável pela articulação política do governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.

Com informações da agência AFP

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Fonte: Terra
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