Brasil

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08 de maio de 2011 • 06h39 • atualizado às 09h24

Elite dos fuzileiros navais brasileiros treinou com os Seals

Seals americanas realizam exercícios militares, com simulações de técnicas de patrulhamento
Foto: AFP
João Ricardo Gonçalves

O tiro que matou Osama bin Laden tornou imediatamente famoso o grupamento de elite da Marinha americana responsável pela ação no Paquistão: os Navy Seals. Antes de o mundo inteiro voltar os olhos para a tropa mais especializada do Exército de Barack Obama, os Seals já estavam atentos aos militares brasileiros e treinaram, no Rio de Janeiro, com homens do Batalhão de Operações Especiais dos Fuzileiros Navais (Batalhão Tonelero).

O intercâmbio ocorreu em abril de 2010 e envolveu 14 integrantes dos Seals e cerca de 90 do Tonelero, na sede do batalhão, em Campo Grande, e também na Ilha da Marambaia. Foram realizados treinamentos de ações diretas de captura, além de resgate e infiltração por descida de cabos, a partir de helicóptero. As duas técnicas foram utilizadas na operação que matou Bin Laden.

Segundo militares brasileiros que presenciaram os treinamentos, os americanos deixaram boa impressão. "Eles nos mostraram algumas técnicas para invadir cômodos com suspeitos, por exemplo. Quando conversávamos com eles, ficávamos sabendo que um veio do Iraque, outro do Afeganistão... Tinham bastante experiência e eram muito bons em quesitos como a precisão dos tiros", diz o capitão de corveta fuzileiro naval Carlos Tunala. Também chamou a atenção o preparo com o equipamento dos americanos: os Seals trouxeram, por exemplo, até compensado para simular as construções a serem 'invadidas'.

Em seu site, os americanos também elogiaram os brasileiros. "O Brasil é uma das nações prioritárias para o Comando de Operações Especiais dos EUA, e consideramos um privilégio fortalecer nosso relacionamento", disse o coronel John Joast, que intermediou os contatos para trazer os Seals ao Brasil. "Fiquei impressionado porque eles foram gentis de testar nossas táticas, mesmo com a experiência de combate deles", disse um dos militares.

Comandante do Tonelero, o capitão-de-mar-e-guerra Fernando José Afonso Ferreira de Sousa considerou a experiência de seus homens treinarem com os Seals positiva e afirmou que não se surpreendeu quando soube que foram membros do batalhão americano que levaram a cabo a ação que matou Bin Laden. "A escolha está dentro do esperado", diz o comandante. Ele afirma que os brasileiros também têm condições de realizar ações de alta complexidade. "Não temos tanta experiência de realidade, mas trazemos material humano também muito rico".

A formação para levar a insígnia dos Seals inclui operações submarinas e saltos de paraquedas. A maioria dos que tentam ingressar no grupo falha em algum momento durante o processo de seleção.

Fortaleza era centro de controle e comando
Para o Serviço de Inteligência dos EUA, a fortaleza onde Osama bin Laden se escondia era um centro de controle e comando ativo, de onde o líder da Al-Qaeda permanecia no controle estratégico e operacional da organização.

Segundo a autoridade que divulgou os vídeos capturados na casa em Abbottabad, a informação recuperada por forças dos EUA representa o maior tesouro já obtido com um único suspeito de terrorismo.

"O complexo de Abbottabad era um centro de controle e comando ativo do principal líder da Al-Qaeda e está claro... que ele não era só um pensador estratégico para o grupo", disse a autoridade, em condição de anonimato. "Ele estava ativo no planejamento operacional e na tomada de decisões táticas. Os materiais que revisamos mostram que Bin Laden era um agente atuante, o que torna a nossa operação ainda mais essencial para a segurança da nossa nação", completou a fonte.

Mais de 7 anos no Paquistão
Bin Laden pode ter vivido no Paquistão por mais de sete anos antes de ser morto, segundo informação de autoridades paquistanesas.

Uma das viúvas do terrorista disse a investigadores paquistaneses que ele permaneceu em vilarejo no distrito de Haripur por quase dois anos e meio, antes de se mudar para a cidade Abbottabad, onde foi morto.

A mulher, Amal Ahmed Abdulfattah, afirmou que Bin Laden e sua família passaram cinco anos em Abbottabad.

O Dia