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Dossiê: mais de 800 mil abortos foram feitos no Rio em 8 anos

30 abr 2010
17h57
atualizado às 18h30
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De 1999 a 2007, mais de 800 mil abortos foram induzidos no Estado do Rio de Janeiro, sendo que três em cada quatro deles foram realizados em mulheres de 15 a 29 anos. Em 2008, o Estado somou 15.868 internações motivadas por aborto inseguro. Dados como estes estão no dossiê "A realidade do aborto inseguro: O impacto da ilegalidade do abortamento na saúde das mulheres e nos serviços de saúde do Estado do Rio de Janeiro".

O levantamento será lançado na próxima segunda-feira, em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), por representantes das entidades Ipas Brasil, Grupo Curumim, Articulação de Mulheres Brasileiras e Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.

Intitulada "Saúde reprodutiva das mulheres do Estado do Rio de Janeiro: Uma questão de direitos humanos", a audiência contará com a participação do deputado estadual Marcelo Freixo, do médico Mario Monteiro, do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Tizuko Shiraiwa, pesquisadora do dossiê, Paula Viana, secretária das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Seguro, Beatriz Galli, advogada e assessora de direitos humanos de Ipas Brasil, e Rogéria Peixinho, representante da Articulação de Mulheres Brasileiras.

Entre os outros dados apontados pelo estudo estão:

- mulheres negras morrem muito mais em consequência de abortos inseguros, quando analisada a variável raça/cor;

- a técnica de aspiração manual intra-uterina (AMIU), método indicado pelo Ministério da Saúde para o atendimento humanizado à mulher em situação de abortamento, só foi oferecida para 3,54% das mulheres internadas nos hospitais do SUS no Rio de Janeiro;

- em 2008, segundo as informações do SIH-SUS, a principal causa de internação para as mulheres em idade fértil são as internações obstétricas;

- as principais causas de mortes maternas obstétricas diretas no Brasil são a hipertensão arterial, as hemorragias e o aborto. Todas essas causas são consideradas evitáveis. Segundo o Relatório do Comitê de Mortalidade Materna de 2009, no Estado do Rio de Janeiro as principais causas de mortes maternas diretas também são estas;

- mulheres que tiveram complicações por aborto estão entre as pacientes mais negligenciadas quanto aos cuidados de promoção da saúde reprodutiva e não são encaminhadas a serviços e profissionais capacitados;

- o aborto realizado em condições de risco frequentemente é acompanhado de complicações severas, agravadas pelo desconhecimento desses sinais pela maioria das mulheres e da demora em procurar os serviços de saúde, que, na sua maioria, não está capacitado para esse tipo de atendimento;

A elaboração do dossiê insere-se no trabalho coordenado por Ipas Brasil, em parceria com o Grupo Curumim, em vários Estados brasileiros, com o objetivo de gerar debates sobre a realidade do abortamento inseguro e o impacto da ilegalidade na saúde e vida das mulheres e nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

Estudo realizado por Ipas Brasil e o Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério da Saúde, mostra que o número de abortos realizados no Brasil passa de 1 milhão por ano. Mais de 220 mil deles têm como consequência, entre várias complicações, infecções graves e perfurações no útero.

Redação Terra

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