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Crise no Governo
Quinta, 6 de abril de 2006, 14h44  Atualizada às 14h52
Renan analisa recurso do PT contra votação de CPI
 
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O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que vai analisar recurso do Partido dos Trabalhadores contra votação do relatório final da CPI dos Correios, que ontem aprovou o documento por 17 votos dentre os 31. O PT reivindica a votação dos destaques ao texto final. "Com relação ao recurso, eu vou de maneira imparcial como sempre fiz recolher todos os elementos para depois decidir", afirmou Renan Calheiros.

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O PT questiona decisão do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), que encerrou os trabalhos da comissão logo após aprovação do relatório por 17 votos a quatro. O vice-líder do PT deputado Jorge Bittar (RJ) afirmou hoje que, caso seja rejeitado o recurso da bancada contra o documento, o partido pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A última sessão de trabalho da CPI foi tumultuada. O relator deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) apresentou alterações feitas ao texto principal e logo depois Delcídio Amaral colocou o relatório em votação sob protesto de deputados e senadores do PT que queriam analisar as mudanças feitas por Serraglio ao relatório final.

O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) chegou a ficar de pé em frente ao presidente para pressioná-lo a interromper a votação, mas o protesto não teve resultados. E, assim que o documento foi aprovado, Delcídio Amaral, encerrou os trabalhos, sem abrir espaço para votação de destaques.

"O que houve, eu entendo, foi um acerto absolutamente anti-democrático que impediu a discussão séria do relatório. Nós negociamos o dia todo com o intuito de contribuir para melhorar o relatório. Para retirar os aspectos incorretos do relatório", chegou a afirmar ontem Bittar, que criticou Delcídio por não ter aberto espaço para votação de destaques. "Vimos um presidente que passou o rolo compressor. Um presidente que não permitiu que se fizessem as alterações necessárias", avaliou.

O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que foi sub-relator de Contratos, considerou que houve "pizza" na votação do relatório. Ele quer que Serraglio explique porque tirou o pedido de indiciamento de algumas pessoas, como o vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade. "Queremos que as coisas sejam colocadas às claras", ressaltou. Ele também quer saber porque o relator retirou o pedido de indiciamento de pessoas ligadas a franquias dos Correios em São Paulo. "Investiguei, tenho provas e sei o que estou dizendo".

Já o deputado ACM Neto (PFL-BA), que foi sub-relator para Fundos de Pensão, avaliou que não houve irregularidades durante votação. Segundo ele, o relatório é sério e independente. "Não fomos coniventes com ninguém", afirmou. A deputada Denise Frossard (RJ) disse que o PT tem o seu direito de protestar, mas concorda com o deputado baiano de que o relatório está bom. "Não fizemos tudo, mas o possível", observou.

O relator-adjunto, Maurício Rands (PT-PE), disse que o partido concorda em grande parte com o relatório, mas gostaria de discutir os destaques para "aprimorar" o documento. "Mas não queremos fazer disso um cavalo de batalha".
 

Agência Brasil