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O plenário da Câmara dos Deputados vota hoje o pedido de cassação do ex-presidente da Casa João Paulo Cunha (PT-SP) por receber R$ 50 mil das contas do empresário Marcos Valério, acusado de ser o operador do suposto esquema de "mensalão". A votação ocorre entre especulações de "acordão" entre governo e base aliada para barrar cassações de acusados.
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A série de absolvições de outros parlamentares envolvidos no caso - até agora, apenas três dos 19 acusados de se beneficiarem do "valerioduto" foram punidos -, as apostas no Congresso sobre o futuro do petista se dividem. Alguns parlamentares acreditam que João Paulo será punido porque, inicialmente, mentiu sobre o saque - afirmou que sua mulher, responsável pelo saque em agência do Banco Rural, em Brasília, tinha ido até o local para pagar uma conta de TV a cabo.
Mas, sobretudo entre a bancada petista, a crença na absolvição se dá por conta do retrospecto recente de rejeições em plenário a relatórios do Conselho de Ética favoráveis à cassação de deputados envolvidos. Com as recentes absolvições de João Magno (PT-MG) e Wanderval Santos (PL-SP), chegou a sete o número de oportunidades em que os parlamentares contrariaram a recomendação do Conselho. Até o momento, foram cassados somente Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias, José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE).
Para João Paulo, o resultado está em aberto:
"É imprevisível, a gente não sabe o que pode influenciar uma votação como esta", afirmou ontem o ex-presidente da Câmara. Segundo o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), é justamente o rumor de "acordão" que poderá prejudicar João Paulo, que poderá ser punido para conter a reação pública negativa.
O relator do processo de João Paulo no Conselho de Ética, deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), recomendou a cassação de João Paulo Cunha alegando que o petista qubrou o decoro parlamentar ao receber dinheiro de Valério em "proveito próprio".
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