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Crise no Governo
Terça, 4 de abril de 2006, 15h13  Atualizada às 16h48
Okamotto diz que não cuidou das finanças de Lula
 
Agência Senado/Divulgação

O presidente do Sebrae participa de acareação com um ex-militante petista
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O presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, recusou-se a falar na CPI dos Bingos nesta terça-feira sobre o suposto pagamento de uma dívida do presidente Luiz Inácio Lula Silva ao PT e negou que seja responsável por contas de qualquer pessoa.

» Venceslau reafirma acusação contra Okamotto

"Nunca cuidei das finanças pessoais de ninguém. Só das minhas", disse Okamotto, durante acareação com o ex-petista Paulo de Tarso Venceslau, que nos anos 1990 acusou o partido de ter mantido um esquema de arrecadação paralela em São José dos Campos (SP). "Nego que cuidava das contas pessoais do Lula, eu já disse isso. Eu nego."

Venceslau disse hoje que Okamotto era visto dentro do Partido dos Trabalhadores, já há muito tempo, como um homem que "representava" o presidente Lula. "Isso é um código não explicitado: ele era um homem de Lula", disse Venceslau.

A afirmação foi feita após um questionamento do senador Jefferson Péres (PDT-AM), que estranhou o fato de que Okamotto, mesmo não possuindo nenhum cargo dentro da estrutura do PT no início dos anos 90, era recebido por prefeitos e secretários do partido, conforme acusação de Venceslau.

Okamotto se defendeu dizendo que Paulo de Tarso quer apenas denegrir sua imagem. "Se hoje sou recebido por empresários e políticos, é por que eu trabalho e me qualifico", garantiu. "É difícil quando ninguém reconhece o meu trabalho mesmo depois de ter chegado onde cheguei", lamentou Okamotto. "Me considero uma pessoa respeitada", disse.

Okamotto admitiu que pagou, em 2003, uma divída de Lula, então candidato a presidente, no valor de R$ 29,4 mil junto à tesouraria do partido. Okamotto também teria quitado, em 2002, dívida de R$ 26 mil, em nome da filha de Lula, Lurian Cordeiro, e doado R$ 24,8 mil para a campanha de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, à prefeitura de São Bernardo (SP).

Durante a acareação, vários senadores da oposição pediram para o presidente do Sebrae, abrir os seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. O senador José Agripino (PFL-RN) afirmou que a recusa de Paulo Okamotto em permitir a abertura de seu sigilo bancário reforça a suspeita de que ele tenha utilizado recursos do "valerioduto" para pagar contas da família de Lula e do próprio presidente.

O senador Jefferson Peres (PDT-AM) afirmou que a situação envolvendo Okamotto vai comprometer o presidente da República. "Ele vai sangrar por isso durante a campanha", disse. Dois requerimentos com o intuito de quebrar o sigilo de Okamotto já foram apresentados na CPI, porém negados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
 

Redação Terra
 
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