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O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) diz em seu relatório que mensalão não pode ser confundido com caixa dois. Serraglio contesta a justificativa dada pelos deputados acusados de receber o recurso - em troca de apoio ao governo - de que se tratava de dinheiro usado para pagar dívidas não contabilizadas contraídas em campanhas eleitorais.
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"É reduzir-se em demasia a inteligência dos brasileiros imaginar que será bastante dizer que os milhões não foram distribuídos a parlamentares, mas sim corresponderiam a caixa dois de campanhas", afirma o deputado no documento.
O deputado afirma que os beneficiários do mensalão, na tentativa de esconder o recebimento do recurso, admitiram um outro tipo de crime: "a não contabilização das despesas de campanha, conhecido na sociedade como 'Caixa Dois', e não a prática de corrupção". "Aliás, a tese do 'Caixa Dois' só apareceu meses depois do início do escândalo, e já então de forma orquestrada", diz ele no relatório.
Como argumentos para dizer que mensalão difere de caixa dois, o deputado diz que há repasse de recursos para deputados em 2003, ano em que não houve campanha, e que os envolvidos não têm comprovantes dos pagamentos de dívidas de campanha. "Minimamente, deveriam ser comprovados tais pagamentos de caixa dois. Afora isso, será basófia", acrescentou Serraglio.
As fontes dos recursos "do valerioduto" seriam os cofres públicos, como o Fundo de Recursos da Visanet, gerido pelo Banco do Brasil, e fontes privadas, como a Brasil Telecom e a Usiminas.
Os empréstimos feitos pelo PT, no valor de R$ 55 milhões, no Banco Rural e BMG seriam "mera formalidade contábil e financeira" para a montagem de "uma farsa" para "mascarar" a origem dos recursos.
O relatório classifica o "mensalão" como um esquema de pagamentos a deputados da base governistas em troca de apoio a projetos de interesse do Executivo. Roberto Jefferson foi o primeiro a denunciar o esquema, com o pagamento de R$ 30 mil. Contudo o relatório da CPI aponta outras variantes do mensalão, como "liberação de recursos com periodicidade menor (a cada sete dias, por exemplo) e o pagamento para seduzir o político a trocar de legenda partidária".
No documento, Serraglio pede o indiciamento de mais de 100 pessoas e cita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os indiciados estão: o ex-ministros Luiz Gushiken, José Dirceu e o ex-tesoureiro Delúbio Soares. O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o publicitário Marcos Valério também serão indiciados.
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