Fale conosco
Mande suas críticas e sugestões. Participe!

 Boletim
Receba as últimas notícias em seu email
Crise no Governo
Quarta, 7 de dezembro de 2005, 08h19  Atualizada às 10h50
Lula diz que levaria José Dirceu para o palanque
 
Agência Brasil
Lula concede a última entrevista coletiva do ano a emissoras de rádio
Lula concede a última entrevista coletiva do ano a emissoras de rádio
 Últimas de Crise no Governo
» Badalados, Ronaldinho e Barcelona chegam ao Japão
» Garibaldi confirma data da leitura de relatório
» Relator busca ajuda para indiciar assessor de Lula
» Amigo de Lula avisa à CPI que não vai depor na terça
Busca
Busque outras notícias no Terra:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, na última entrevista coletiva a emissoras de rádios do ano, que levaria o deputado cassado José Dirceu para uma possível campanha eleitoral. "Eu levaria o José Dirceu para o palanque. Ele foi cassado, mas não foi provado nada contra ele", disse o presidente.

» Lula volta a elogiar a política econômica do governo
» Tudo sobre a crise no governo
» Opine sobre a afirmação de Lula

Para o presidente, o processo de apuração das denúncias precisa ser feito com cuidado para que um inocente não seja condenado e um culpado inocentado. Lula voltou a dizer que a existência do "mensalão" - suposto pagamento de mesada a parlamentares, do qual Dirceu é acusado de participar - não foi provado.

"Quando você mancha o nome de uma pessoa depois você não reconstrói mais. Eu defendo que haja apuração, investigação. Agora eu sou contra a pena de morte na vida política e na vida normal", afirmou ele.

PT e traição
Lula explicou que disse ter sido traído quando foram divulgadas as denúncias de uso de "caixa dois" porque essa era uma prática combatida pelo próprio Partido dos Trabalhadores. "O PT não precisava dessa prática política até porque não é o dinheiro que faz uma pessoa ganhar as eleições". Ele afirmou que não ficou inibido por ser petista com as denúncias de "caixa dois".

"Existe uma história neste país que o PT não poderia ter entrado. O PT nasceu para combater isso. Quem fez isso cometeu um erro abominável contra a história do PT. Agora, vai amargar muitos anos para recuperar a sua história política e sua credibilidade. Eu estarei do lado do PT tentando contribuir para que isso aconteça", completou.

Para Lula, a sociedade deve cobrar do partido para que ele volte a ser exemplo de comportamento ético no cenário político. "Não somos infalíveis. Cometemos erros e, quando cometemos erros, nós temos que pagar e pagar forte. A sociedade brasileira precisa nos cobrar sistematicamente, de forma implacável, para que a gente seja uma referência ética neste País".

Reeleição
O presidente reafirmou mais uma vez que nunca disse a ninguém que seria candidato nas eleições presidenciais de 2006. Lula chegou a dizer que é contrário a tese da reeleição. "O instituto da reeleição não é um bom instituto, não é uma boa política. O melhor seria haver o mandato de cinco anos em vez de quatro".

Lula disse que as eleições de 2006 não farão com que ele mude sua política de governo, especialmente a política econômica. "A eleição não me fará tomar nenhuma medida que possa passar para os olhos de milhões de brasileiros de que faremos uma aventura por conta disso. O Brasil não vai jogar fora esta chance. Nós conseguimos encontrar um ponto de equilíbrio", afirmou.

Oposição
A pressão exercida pela oposição é uma postura natural, segundo o presidente. De acordo com ele, o papel dos opositores é criticar o governo e o PT precisa aprender a lidar com essa pressão. "Nós remamos para frente, eles remam para trás. Esse é o jogo. O PT fez isso e o PT não tem que se queixar. Se você encontrar um petista lamentando que a oposição está batendo, não leva muito em conta porque eles têm que aprender a falar. Bateram a vida inteira, nós temos que aprender a apanhar", disse.

Reforma política
Lula afirmou que as irregularidades na política só serão superadas com uma reforma política e eleitoral. "Eu particularmente estou convencido que a prática política nesse país de 'caixa dois' ou de mais eleitores do que gente na população das cidades quando a gente tiver mudança na legislação eleitoral, que tiver partido mais forte, que tiver fidelidade partidária", defendeu ele.

O presidente Lula concedeu entrevista coletiva no rádio, a última do ano, a quatro estações de rádio do País: Band AM, BandNews FM, CBN e Jovem Pan. As duas primeiras ocorreram nos dias 18 e 24 de novembro, quando o presidente respondeu a perguntas de jornalistas de 13 emissoras.
 

Redação Terra