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Crise no Governo
Segunda, 5 de dezembro de 2005, 08h49 
Oito são denunciados no caso dinheiro na cueca
 
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O Ministério Público Federal no Ceará concluiu que o dinheiro transportado na cueca e em uma mala pelo ex-assessor petista José Adalberto Vieira da Silva era propina proveniente de um contrato de financiamento em investigação, de R$ 300 milhões, fechado entre o Banco do Nordeste (BNB) e o consórcio Alusa/Sistema de Transmissão do Nordeste (STN). Com base nessa conclusão, oito pessoas foram indiciadas.

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Os procuradores Márcio Andrade Torres e Alexandre Meireles Marques denunciaram, por suposta improbidade administrativa, o presidente do banco, Robert Smith, e outros quatro dirigentes da instituição, informou o jornal Folha de S.Paulo. A ação tramita na 10ª Vara Federal de Fortaleza. Também foram denunciados o ex-assessor especial da presidência do BNB Kennedy Moura e o deputado estadual José Nobre Guimarães (PT), além do seu ex-auxiliar, flagrado em São Paulo no dia 8 de julho com US$ 100 mil na cueca e R$ 209 mil numa mala. Guimarães é irmão do ex-presidente do PT José Genoino.

Em nota, a Procuradoria diz que houve "omissão" do presidente do banco. Smith e os outros quatro dirigentes teriam "aprovado a operação (de empréstimo ao) STN, não obstante irregularidades apontadas pelo TCU".

Já o deputado e seu ex-assessor aparecem como supostos beneficiários do contrato. O parlamentar, que foi presidente do PT-CE por oito anos, seria o responsável pela indicação de Moura ao BNB. No cargo, ele teria intermediado o financiamento. O contrato entre a instituição e a Alusa/STN prevê a construção de uma linha de transmissão de energia elétrica entre Teresina e Fortaleza.

Por meio de nota, o BNB informou que só se pronunciará sobre o caso após conhecer o teor oficial da ação. O banco declara que sempre colaborou com as apurações e prestou as informações requisitadas, inclusive ao TCU. Sobre o financiamento, o banco diz que "não há qualquer desvio" de verba e que os recursos "vêm sendo corretamente aplicados no empreendimento, estando a obra em fase de conclusão". A obra, diz, será inaugurada em janeiro.

Também em nota, a Alusa/STN repudiou "com veemência" as suspeitas da Procuradoria. "As empresas refutam a leviandade do procurador, que se utiliza de argumentos enganosos para tentar induzir a opinião pública a crer que houve irregularidade".

José Nobre Guimarães disse, por telefone, que a suspeita dos procuradores "é a coisa mais sem nexo do mundo". Moura e Adalberto Vieira não foram encontrados para comentar o caso.
 

Redação Terra