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Crise no Governo
Quarta, 30 de novembro de 2005, 20h32  Atualizada às 00h57
Na Câmara, Dirceu nega ser o chefe do mensalão
 
Agência Brasil

O deputado José Dirceu reafirmou que "não há provas" para a cassação de seu mandato
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O deputado José Dirceu (PT-SP) reafirmou, em seu discurso no plenário da Câmara, que "não há provas" que reforcem a cassação de seu mandato. "Sou acusado de ser chefe do mensalão, mas cada deputado ou deputada aqui sabe que não é verdade. Esta Câmara está me julgando, mas também está se colocando em julgamento", afirmou. O ex-ministro da Casa Civil assumiu a tribuna do plenário da Câmara para defender seu mandato às 20h23 desta quarta-feira. Ele afirmou que, para "honrar os votos dos eleitores", sua obrigação era lutar.

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Em seu discurso, que terminou às 21h05, o ex-ministro disse ainda que recorreu diversas vezes à Câmara e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o seu direito de defesa comum a qualquer cidadão. "O ônus da prova cabe ao acusador a não ao acusado", afirmou.

Dirceu afirmou ainda que todos são testemunhas de que ele travou o seu combate de peito aberto. "Não renunciei e não critico quem o fez, mas se tivesse feito não teria coragem de olhar para cada um de vocês".

O deputado, mais uma vez, negou que a Câmara tenha votado as reformas de 2003 "financiada" pelo pagamento de propina aos deputados da base governista. Dirceu disse que não é verdade que houve compra de votos, mas admite que o PT já está respondendo a processos por conta dos repasses de recursos não-contabilizados.

Dirceu disse que a o seu mandato está ameaçado por motivos políticos. Por isso, segundo ele, a Câmara não deve votar a favor de sua cassação. "Nenhum tribunal aceitaria a perda de mandato de um parlamentar por motivos políticos, pois isso seria um fato estranho à democracia e às leis brasileiras", afirmou.

O deputado afirmou que a Câmara se transformará num "tribunal de exceção" se o seu mandato for cassado na noite de hoje. "Degola política existia na República Velha, mas não podemos permitir que isso aconteça aqui", argumentou. "Se houvesse alguma prova contra mim, eu aceitaria a discussão da perda do mandato, mas não há nada que possa caracterizar a quebra de decoro parlamentar."

Ele também acusou a imprensa de ser partidária e disse que não seria justo perder o mandato por causa de sua personalidade. "Não posso ser cassado por não ter atendido telefonemas e por não ter marcado audiências; isso seria uma violência contra os meus 40 anos de vida pública", ressaltou.

O deputado, que foi aplaudido por duas vezes, disse ainda que será uma "ignomínia" se for afastado da vida política pelos próximos oito anos e assegurou que tem "as mãos limpas". Ao falar de sua trajetória na resistência à ditadura militar, o petista disse que por razões da vida não foi assassinado, nem caiu em combate, mas prometeu aos colegas: "eu não vou me dobrar, não vou cair".

Votação
Para que o mandato de Dirceu seja cassado, são necessários, no mínimo, 257 votos. A votação do relatório do deputado Julio Delgado (PSB-MG) é secreta, em cédulas de papel.

Às 20h05, 382 deputados estavam presentes no plenário da Câmara, segundo a CBN, para a sessão extraordinária que pode aprovar a cassação do ex-ministro do governo Lula.

O painel eletrônico da Casa registrou no início da votação, às 21h50, a presença de 487 dos 513 parlamentares.


 

Redação Terra
 
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